Como fica a vida dos jovens no novo normal

Uma pesquisa mundial conduzida pela rede de comunicação britânica BBC ouviu 46 mil pessoas com idades entre 16 e 99 anos. Os resultados, publicados no periódico científico “Personality and Individual Differences”, constataram que os jovens são mais impactados por esse período sem sair de casa do que os mais velhos. “Eles dependem mais da socialização, principalmente os adolescentes no espaço da escola”, explica Jairo Bouer, médico psiquiatra especialista em sexualidade e autor de quatro livros publicados pela Panda Books. Bouer também é coautor de “O Guia dos Curiosos – Sexo”, ao lado do jornalista Marcelo Duarte. A pesquisa mostrou ainda que o sentimento de solidão depende mais da expectativa que os indivíduos têm em relação às conexões sociais do que da quantidade de pessoas com quem se relaciona. Jairo Bouer concedeu a seguinte entrevista ao Panda News.

Panda News – Você acredita que haverá uma mudança muito grande no comportamento sexual dos jovens depois da pandemia?

JAIRO BOUER – É um exercício de futurologia, porque não sabemos exatamente quando ela vai acabar e como será. Tenho a percepção de que não voltaremos para uma situação de normalidade imediatamente. Nos países mais atingidos, ainda não há notícias de aberturas de baladas, festas, cinemas, teatros, shows e eventos esportivos. Encontrar alguém fora dessas situações é mais difícil. Eu acho que, esse ano, ainda existirá uma restrição social, e isso pode impactar o comportamento sexual dos jovens. Ano que vem, se conseguirmos retornar a algo mais próximo da normalidade, devemos ver um comportamento semelhante ao anterior da pandemia. Não acredito que haverá uma ruptura muito grande dos padrões.

Os jovens serão mais seletivos? Ou correr risco faz parte dessa fase da vida?

Correr risco faz parte dessa fase da vida. Há mais de 20 anos recebo contatos de jovens que fizeram coisas mesmo sabendo que não deveriam. Uma vez que a situação retorne ao normal, ou se aproxime disso, os jovens voltarão a correr riscos, mas, nesse momento, acredito que estejam mais seletivos. Quem namora e consegue se encontrar, tudo bem. Os solteiros até podem buscar pessoas em aplicativos, mas é muito mais difícil criar uma situação para encontros pessoais, por viverem muito próximos à família, e por estarem mais preocupados. Do ponto de vista da sexualidade, o indivíduo pode ficar à vontade, desde que use camisinha. Em tempos de coronavírus, teoricamente, não há sexo seguro.

Não há cuidados que possam ser tomados que ainda não eram?

Não tem jeito. Só se transar ao ar livre, usar máscara e tentar manter uma distância entre um metro e meio ou dois. O contato sexual envolve proximidade entre as pessoas e muita troca de fluidos.

Haverá mais choque com os pais, que estão mais atemorizados?

As relações em casa estão muito mais concentradas, todo mundo fica no mesmo espaço quase que o tempo inteiro. Os conflitos se tornam mais visíveis e emergentes. Isso exige um chumbo de estrutura de paciência, de lidar com limites, e impulsividades muito grandes. É uma área de conflitos. Tanto que estão crescendo os casos de violência doméstica e violência contra mulher.

O que a pandemia ensinou aos jovens?

Aprender a lidar com esse “estar em casa” por mais tempo, longe das pessoas que eles gostam e mais tempo próximos à família, tolerando as diferenças dentro de casa, enfrentando angústias, ansiedades e dificuldades causadas pela falta de interações sociais.

Jairo Bouer na Panda Books.

Sucesso da coleção Vaga-Lume, suspense na final do campeonato de futebol ganha nova edição

A primeira edição de “Jogo sujo” foi lançada em 1996 pela prestigiosa Coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. O time do Dínamo se classifica para a final do Campeonato Brasileiro, mas seu artilheiro desaparece misteriosamente logo depois da partida. “Onde estará Zuba?”, perguntam torcedores, dirigentes, jornalistas e familiares. O sonho de conquistar a taça vira um pesadelo para os companheiros de equipe. Até que uma jovem repórter descobre uma pista e resolve investigar o caso por conta própria. A trama, escrita pelo jornalista Marcelo Duarte, ganha agora uma edição revista e atualizada pela Panda Books. Vale lembrar que o autor tem muita intimidade com os bastidores do futebol. Dirigiu a revista Placar e apresentou o programa “Loucos por futebol”, da ESPN-Brasil, por 12 anos. Cobriu também quatro Copas do Mundo. Confira o bate-bola que o Panda News fez com ele:

Como foi publicar seu primeiro romance pela coleção Vaga-Lume?
Na quarta série, minha primeira leitura autônoma foi “O caso da borboleta Atíria”, de Lúcia Machado de Almeida, que também escreveu “O escaravelho do diabo”, que li no ano seguinte. Adorei os dois. Mas o autor que me marcaria de verdade foi Marcos Rey. Meu sonho de adolescência era escrever aventuras iguais às dele. Aos 16 anos. li “O mistério do cinco estrelas” e foi amor à primeira vista. Depois vieram na sequência “O rapto do garoto de ouro” e “Um cadáver ouve rádio”. Não parei mais. Lia cada livro pelo menos duas vezes. A primeira para curtir o suspense e a segunda para estudar a trama, os personagens, as pistas. Em 1996, depois de já ter publicado “O guia dos curiosos”, consegui realizar o sonho de publicar meu primeiro livro pela Vaga-Lume (embora, ao mesmo tempo, tenha descoberto que jamais escreveria como meu mestre).

Há alguma mudança entre a história de 1996 e a edição de 2020?
A trama é exatamente a mesma. Só atualizei o cenário. Em 1996, por exemplo, o celular e o computador ainda não faziam parte de nossa realidade. Imagine que os personagens usavam telefones fixos e orelhões para se comunicar. A internet também mudou o jeito de acompanhar o futebol. Teria que colocar notas de rodapé para explicar o que são ficha telefônica, toca-fitas e locadora de vídeo… Por isso, resolvi incluir as “modernidades” na nova edição. “Jogo sujo”, agora publicada pela Panda Books, ganhou também um novo projeto gráfico, e uma nova capa e novas ilustrações, assinadas por Leblu.

O livro fala dos bastidores de um campeonato de futebol. Mas, ao pensar na história, a sua ideia era falar de vôlei?
Sim. Na primeira versão do livro, Zuba, o personagem principal, era um jogador de vôlei. Quando apresentei o original para Carmen Lúcia Campos, então editora assistente da Vaga-Lume, ela disse que seria melhor mudar o esporte, pois havia acabado de sair um livro com a mesma temática, “Vencer ou vencer”, escrito por Raul Drewnick. Segui o conselho dela e Zuba virou um craque de futebol.

O título que você imaginou para o livro era outro?
Era outro, sim. Conto essa história na orelha da nova edição. O título que eu havia escolhido foi “O mistério do camisa 9”, mas, aos 45 minutos do segundo tempo, o editor Fernando Paixão sugeriu “Jogo sujo” e assim ficou.

Por causa do “Jogo sujo”, o personagem Zuba virou um talismã seu?
Exatamente. Peguei o apelido emprestado de um jornalista que trabalhou comigo na redação da revista Placar na década de 1980. “Jogo sujo” me deu tanta sorte que, em todos os seis romances infantojuvenis que vieram depois, eu dou sempre um jeito de citar o Zuba em algum momento da história.

Autores contam suas melhores histórias nerds

O Dia do Orgulho Nerd é celebrado em 25 de maio. Há três razões para a escolha da data: o lançamento do primeiro Star Wars (1977); uma homenagem a Douglas Adams, autor de O guia do mochileiro das galáxias, conhecida também como Dia da Toalha; e a série Discworld, do escritor Terry Pretchett. Na obra, o dia celebra a queda da monarquia e a instauração da República na cidade-Estado de Ankh-Morpork. No clima dessa celebração, o Panda News convidou seis autores de livros sobre games para contarem qual foi seu momento nerd mais marcante.

Claudio Prandoni, autor de Pokémon Go de A a Z e League of Legends.
O grande sonho de quem escreve sobre videogame é visitar a E3, uma das maiores feiras de games do mundo. Ela acontece em Los Angeles e só fui ao evento uma vez, em 2018. Antes de a feira começar, algumas desenvolvedoras de jogos fazem eventos próprios. Eu estava em uma delas, quando, inesperadamente, chamaram Shigeru Miyamoto no palco, criador de Super Mario e Legend of Zelda, praticamente o Walt Disney da Nintendo! Super Mario foi um dos jogos que me fizeram gostar tanto dos videogames e seguir isso como profissão, mas eu nunca tinha visto o criador da série de perto. Na hora, as lágrimas vieram aos meus olhos.

Claudio Prandoni, o autor que pôde assistir à uma palestra do criador de Super Mario, um de seus maiores ídolos.

Guilherme Athaide, autor do Almanaque dos games de futebol e Clash Royale.
Em 2010, eu tinha 19 anos e fui ao meu primeiro encontro nerd. Em 25 de maio, participei de um encontro na Avenida Paulista, quando ainda se falava mais em Dia da Toalha. A organização aconteceu pelo Twitter, as pessoas foram com toalhas e nos encontramos em uma banca para ficar conversando sobre assuntos nerds como games e filmes. Ao longo dos anos, essas comemorações cresceram muito mais, o que é libertário, porque antes, as pessoas nerds tinham vergonha de se expor.

Nathan Fernandes, co-autor do Almanaque de Games.
Em 2015, quando existiam poucas lives, comecei a fazer transmissões diárias pela Revista Galileu. Foi um período muito especial pelas experiências que tive, como ir ao Havaí assistir à parte das gravações de King Kong. Levei mais de 24 horas até lá, cheguei e dormi. No dia seguinte, assisti à gravação, dormimos de novo e vim embora. Lá, entrevistei Tom Hiddleston, o Loki de Os vingadores, e Brie Larson, que ainda não era a Capitã Marvel e não tinha ganhado o Oscar. Dois meses depois, ela levou a estatueta de Melhor Atriz com o papel que fez em O quarto de Jack.

Nathan Fernandes em Honolulu, Havaí, durante as gravações de King Kong: A ilha da caveira

Priscila Ganiko, autora de Overwatch.
Eu e mais duas amigas criamos o blog “Minha Tia Joga LoL”, em 2012. O nome foi em homenagem à tia de uma das meninas que estudava com a gente e jogava videogame. Nós escrevíamos sobre o jogo League of Legends (LoL), acabamos chamando atenção com isso, até que a produtora do game nos convidou para fazer parcerias. Por causa disso, fui trabalhar no UOL Jogos e consegui outros empregos até me tornar jornalista especializada em games.

Sérgio Miranda, autor de Minecraft de A a Z.
Fui ao lançamento de Star Wars: Episódio IV – Uma nova esperança, quando tinha 10 anos. Aquela foi a primeira vez em que me deparei com uma fila enorme do lado de fora do cinema. Lá dentro, pude ver uma máquina de fliperama do jogo Space Invaders ajudando a promover o filme. Além de ter muita gente no dia, naquela época, não existia a obrigação de sair da sala, e muitas pessoas assistiam a sessões repetidas – isso me deixou na fila por bastante tempo.

O autor Sérgio Miranda esteve na estreia do primeiro Star Wars, filme que chegou ao Brasil em janeiro de 1978.

Victor Bianchin, co-autor do Almanaque de games.
Em 2008, o escritor Neil Gaiman veio ao Brasil participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Eu era fã da HQ Sandman, então precisava ir à Flip vê-lo! Chamei uma amiga, viajamos de madrugada, chegamos lá bem cedo e, como fomos de última hora, só conseguimos uma pousada decrépita. Não havia lugar na palestra dele, mas assistimos em um telão e fomos para a fila de autógrafos. Foram 3 horas de espera em pleno verão do Rio de Janeiro para conseguir o autógrafo! Tirei uma foto engraçada: estou olhando para a câmera e o Gaiman para o livro, ainda autografando.

Victor Bianchin levou vários livros para Neil Gaiman autografar.

Os 18 anos dos livros de Todd Parr no Brasil

Tudo bem ser diferente foi o primeiro livro de Todd Parr lançado no Brasil em 2002. O sucesso foi imediato. Aos 56 anos, ele já tem na bagagem mais de 40 livros infantis e milhões de cópias vendidas. Dezenove deles foram publicados no Brasil nos últimos dezoito anos, todos pela editora Panda Books.

O californiano Todd Parr começou a pintar em 1994, aos 32 anos, mas seu talento para as artes já transparecia muito antes disso. Aos 7, venceu um concurso da seção de quadrinhos de um jornal local. Conseguiu seu primeiro emprego aos 11, ganhando 1 dólar por hora como garçom na lanchonete Taco Time. Depois de trabalhar em uma loja de discos, Todd Parr decidiu inovar e se candidatou a uma vaga para comissário de voo na United Airlines. Foi contratado e lá ficou durante 15 anos. Em seu tempo livre, desenhava e pintava. O que era um hobby virou um trabalho paralelo — Todd Parr começou a vender roupas com suas estampas para seus colegas de trabalho. Quando se deu conta, estava criando coleções especiais para lojas como Macy’s e expondo quadros em restaurantes de capitais gastronômicas como São Francisco. Foi depois do lançamento de uma série de produtos para crianças que um editor em Nova York procurou Todd Parr para sugerir aquilo que consagraria a carreira do artista: “Você já pensou em escrever livros para crianças?”.

Todd Parr vive com seus pit bulls adotados.

As obras de Todd Parr são conhecidas pela concisão. Mas a principal marca registrada de Todd Parr são suas ilustrações. Os desenhos, que parecem ser feitos à mão, são criados com o uso de um tablet gráfico conectado a um computador. Influenciado pelo artista Keith Haring, Todd Parr abusa de cores vivas, bom humor e linhas em preto para compor suas ilustrações. A constante presença da figura de uma criança com uma cueca na cabeça é um recurso que contribui para deixar as complexas tramas mais leves.

Em todos os livros, o autor trata de temas universais do cotidiano das crianças, com o diferencial de conseguir quebrar tabus, ao abordá-los de forma simples, divertida e colorida. Em O Livro da Família, promove a inclusão de casais homossexuais (“Algumas famílias têm duas mães ou dois pais”) ao elencar uma série de características próprias das famílias. Nas obras mais recentes, Todd Parr trata de gratidão, medo, adoção, e ajuda crianças a lidar com a morte e a perda de pessoas próximas. O segredo para tocar em assuntos tão delicados está implícito na forma como o autor se despede de seus pequenos leitores em todos os seus livros: “Com amor, Todd”.

10 ideias para aulas online nota 10

A epidemia do novo coronavírus impactou o ensino de crianças e adolescentes ao redor do mundo. Em pouco tempo, professores tiveram que deixar as salas de aula e se adaptar a tecnologias que possibilitam o ensino à distância. Muitas escolas têm adotado plataformas para facilitar a interação de professores e alunos, como o Microsoft Teams e o Google Meetings. Existem outros serviços que podem ser utilizados – Skype e Zoom. WhatsApp, Facebook e Instagram também oferecem possibilidades para o envio de arquivos e a realização de videoconferências.

Confira as dicas de Josca Ailine Baroukh, educadora, psicóloga e autora da Panda Books, sobre os melhores caminhos para o ensino nesse momento.

1 – Mantenha a relação das crianças com a escola, principalmente na educação infantil
Os efeitos do distanciamento são diferentes em cada fase da infância e os alunos mais novos podem sofrer impactos maiores. É fundamental manter o vínculo deles com a escola. Foque mais nas relações humanas do que em conteúdo, deixando as crianças sempre em contato com professores e colegas.

2 – Envie materiais estimulantes para os alunos
Procure mandar materiais como músicas, vídeos, filmes e recados amorosos às crianças da educação infantil. Dessa forma, elas conseguirão aprender coisas novas e manter a relação com a escola.

3 – Use a criatividade
Não é possível transpor o conteúdo presencial para o Ensino à Distância (EAD). Os professores do ensino fundamental precisam pensar em maneiras de flexibilizar as matérias e não se prenderem a aulas expositivas e lições. Busque soluções criativas para continuar o trabalho que acontecia na escola.

4 – Não exponha as crianças a telas por longos períodos
De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças de 2 a 4 anos não devem ficar mais de uma hora por dia olhando para telas; a partir dos 5 anos, esse tempo pode se estender ao máximo de duas horas. O contato com as imagens eletrônicas interfere no desenvolvimento psíquico durante os primeiros anos de vida. As crianças precisam de contato físico, pessoal, olho no olho, conversa, toque. Para elas, não há muita diferença entre o faz de conta e o real.

5 – Peça um retorno aos pais e alunos
É importante manter contato com os alunos para saber se os conteúdos e os formatos escolhidos são proveitosos. No ensino médio, converse diretamente com os estudantes. Na educação infantil, porém, os pais são importantes, participando com conversas e gravando as reações dos filhos para os professores.

6 – Cuidado com o tempo das aulas gravadas
Deve haver um equilíbrio entre gravar explicações e ensinar ao vivo em videoconferências. Uma aula gravada deve ter no máximo 30 minutos. Depois disso, o professor pode abrir o chat para conversar sobre o conteúdo com os alunos.

7 – Aulas ao vivo também precisam de cuidados
Nos contatos simultâneos, fique atento a possíveis problemas de conexão dos alunos. Tome cuidado para não se alongar na explicação. Essa preocupação com o tempo deve ocorrer, pois os estudantes se dispersam mais rápido nas atividades online.

8 – Mais possibilidades de conteúdos para os maiores
Uma boa opção para o ensino fundamental é dividir a aula com diferentes atividades. Um exemplo: o professor pode explicar a matéria, passar um texto, sugerir algum estudo e finalizar em um encontro online com toda a turma.

9 – Mantenha os turnos da escola
A duração das aulas online pode ser diferente das presenciais, mas respeite o turno em que as crianças estudam. Se vão para a escola de manhã, os alunos devem interagir com a plataforma nesse período.

10 – Cuide da segurança
Os educadores devem cuidar da própria segurança em chamadas por vídeo. Não se sabe quando pode surgir a suspeita de conduta imprópria por parte dos professores. Para evitar isso, realize conferências com todos os alunos juntos, jamais com uma criança apenas.

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Boa noite com ioga: como a prática milenar ajuda crianças a dormir melhor

Colocar uma criança para dormir costuma ser tarefa difícil. Não para a professora Gabriela Amalfi, mãe de duas crianças, um menino de três anos e uma menina de seis meses. Ela ensina ioga, e conta que fez seus filhos se envolverem pela prática desde a gravidez. “Eles são muito tranquilos, nunca me deram trabalho na hora de ir para a cama”, afirma. A história de Gabriela tem tudo a ver com o mais recente lançamento da Panda Books: Boa noite com ioga.

Escrito pela americana Lorena Pajalunga, o novo livro conta a aventura de um casal de irmãos que decide passar a noite em claro, brincando. Os dois são interrompidos pelos bichinhos de pelúcia, que se juntam para ensinar posturas de hata-ioga, exercícios físicos tradicionais dessa prática oriental. O leão vai apresentar a postura da Montanha, a girafa mostrará a posição do Tridente, e o panda fará a meia postura do Sábio Matsyendra. Cada brinquedo revela o passo a passo bem detalhado de posições que deixam o corpo e a mente relaxados para dormir.

Além das conhecidas posturas, a ioga envolve técnicas de respiração (pranayamas) e o ensinamento de valores éticos. Gabriela explica que fazer os exercícios antes de dormir pode ser bom tanto para crianças quanto para adultos: “Praticar no fim do dia é benéfico para acalmar o corpo e a mente, garantindo boa noite de sono”.

Gabriela também usa histórias sobre bichos para ensinar ioga às crianças.

Para ensinar crianças, a professora também relaciona bichos com as posturas realizadas nos exercícios físicos. Ela conta que há registros de ioga anteriores a Cristo, e, desde os primórdios, as atividades foram inspiradas por movimentos da natureza. “Acredita-se que os primeiros praticantes viam como os animais se mexiam e tentavam movimentar o próprio corpo de uma forma semelhante”, explica.

Há três anos, Gabriela atuou na ONG Gaia +, idealizada pelos irmãos João Paulo e Eduardo dos Santos Pacifico. Lá, fez um trabalho voluntário para crianças que vivem em vulnerabilidade social. Tanto a professora quanto Eduardo afirmam que a ioga foi um sucesso entre os alunos. Quando engravidou, Gabriela saiu para se dedicar ao filho. Ela trabalhava com crianças de 6 a 10 anos, e desde então pôde ver como elas se ligam facilmente à atividade. “Os adultos perdem a natureza pura, espontânea, e a ioga ajuda a resgatar isso”, diz. “Na infância, ajuda a criança manter essa característica”.

Eduardo, que além de fundador da Gaia +, é educador, conta que praticou ioga entre a adolescência e o início da fase adulta. Segundo ele, ensinar para as crianças que atenderia no projeto foi um desejo natural. Elas logo se identificaram com a prática e puderam desfrutar dos mesmos benefícios que o executivo teve quando mais novo. “Por ser uma atividade física e mental ao mesmo tempo, a ioga traz o autoconhecimento, e a consciência de que é importante se cuidar”.

O vírus contra o futebol

A pandemia do novo Coronavírus paralisou os campeonatos de futebol em praticamente todas as partes do mundo. A UEFA e a Concacaf, por exemplo, adiaram a Eurocopa e a Copa América para 2021. Seria a primeira vez que essas interrupções ocorrem por questões de saúde? “Estamos vivendo um fato inédito do ponto de vista mundial”, diz o jornalista Celso Unzelte, pesquisador, professor, comentarista da ESPN-Brasil e autor da Panda Books. “Mesmo na época da Segunda Guerra, como a América do Sul não era o campo de batalha, a vida continuava normalmente por aqui. As Copas de 1942 e 1946 foram canceladas, mas tivemos os campeonatos sul-americanos.” Celso deu a seguinte entrevista ao Panda News:

Panda News – É a primeira vez que o futebol para por causa de uma pandemia?

CELSO UNZELTE – Em 1918, o problema era a chamada Gripe Espanhola, mas, nesse caso, o futebol europeu já estava parado. A epidemia veio logo depois da Primeira Guerra, que só acabou em 11 de novembro daquele ano. Tinha futebol no Brasil, e aqui o primeiro caso do surto foi diagnosticado no dia 15 de outubro, em São Paulo. Cinco dias depois, as partidas de futebol foram suspensas de um modo bem abrupto: os torcedores estavam nos estádios quando os agentes de segurança chegaram para dizer que não haveria jogo. O público não quis ir embora, e alguns times resolveram atuar amistosamente — veja como a sociedade não estava preparada para a situação. Naquele dia, três partidas estavam marcadas na capital paulista: no Jardim América, onde até hoje está a sede do Paulistano, Paulistano x Internacional; na Floresta, atual local da Ponte das Bandeiras, São Bento x Minas Gerais; na Avenida Água Branca, aconteceria a inauguração do campo do Ypiranga, com um jogo contra o Mackenzie, que não ocorreu. O campeonato só foi reiniciado em 15 de dezembro e acabou em 19 de janeiro do ano seguinte.

Foi então uma paralisação rápida?

Sim, relativamente rápida. Não havia a quantidade de jogos que há hoje. Na época, eles decidiram que só seriam realizadas as partidas que envolvessem a decisão do título. Por isso, o Paulistano terminou campeão disputando 15 jogos; o Corinthians foi vice com 17; o Santos ficou em quarto com 13, e o Mackenzie, oitavo, com 11. Isso não aconteceu apenas em São Paulo. No Rio de Janeiro, o campeonato também ficou parado por 56 dias — entre outubro e dezembro, com a final em janeiro de 1919. Um jogador do Fluminense, Archibald French, morreu por causa da Gripe Espanhola. Aliás, o presidente eleito do país, Rodrigues Alves, morreu no Rio antes de tomar posse. No Rio Grande do Sul, os jogos também foram cancelados. O primeiro campeonato gaúcho ocorreria em 1918, ano em que a Federação foi criada. Seria um triangular entre Cruzeiro (campeão da região de Porto Alegre), Brasil de Pelotas e o 14 de julho (de Santana de Livramento, na região da fronteira com o Uruguai). O campeonato só aconteceu no ano seguinte, mas com a participação de outros clubes e o Brasil de Pelotas foi campeão. Cem anos depois, os times de 1918 tentaram fazer com que a federação reconhecesse todos eles como vencedores do campeonato que não teve, mas a entidade discordou.

 

Celso Unzelte é autor de livros como “Corinthians: uma caixinha de surpresas”.

Hoje, alguns clubes profissionais estão oferecendo suas instalações para atender gente doente. Na época da Gripe Espanhola, os clubes de futebol fizeram o mesmo?

Sim, principalmente o Paulistano e o Palmeiras, que ainda se chamava Palestra Itália. Na sede social do Palestra, localizada no centro da cidade, havia uma enfermaria com 31 leitos. O time também doou 500 mil réis mensais para os órgãos de saúde. Houve um engajamento muito grande da sociedade contra a Gripe Espanhola, e pessoas ligadas ao Palestra Itália criaram um grupo de apoio às famílias dos enfermos. Graças aos clubes, empresários doaram cestas de alimentos. Conseguiram até ambulâncias para o tratamento de doentes. O Paulistano também cedeu espaço em sua sede, no Jardim América. O futebol se mobilizou naquela época, como agora também.

Houve algum time rebaixado nessas competições?

Não. Nessa época, felizmente para a ordem dos campeonatos, não havia o rebaixamento, que é um outro grande problema dos dias de hoje. Os clubes podem até resolver, por consenso, qual será o campeão. Mas a questão dos rebaixados é complicada, pois envolve os times que têm direito a subir de outra divisão.

Mais recentemente, nos anos 1970, nós tivemos o surto da meningite em São Paulo. Em algum momento se falou em paralisar o futebol por aqui?

Futebol, especificamente, não. Mas os Jogos Pan-americanos de 1975, sim. Eles estavam marcados, inicialmente, para Santiago do Chile, mas houve o golpe militar de Pinochet em 1973. Logo depois de tomar o poder, a junta militar abriu mão do Pan. Então, São Paulo assumiu a empreitada, e as competições deveriam ter ocorrido aqui. Em outubro de 1974, porém, a cidade abdicou da competição, alegando oficialmente riscos à saúde dos participantes por causa da epidemia de meningite. Essa é uma das versões, a oficial, do então presidente do COB [Comitê Olímpico Brasileiro], major Sylvio de Magalhães Padilha. Uma outra versão dá conta de que não havia verbas. O advogado Alberto Murray Neto, neto do major Padilha, confirma ter ouvido do avô que o então ministro da Educação e Cultura, Ney Braga, afirmara não haver dinheiro, mas a justificativa do governo seria o surto de meningite. Existia censura da imprensa vigente, não era interessante que se divulgasse os números daquele surto, que foi bem grande no Brasil.

Por que o surto do vírus ebola não cancelou a Copa da África de 2014?

Ela deveria ter acontecido no Marrocos, mas o país pediu para adiar por causa do avanço ebola. A federação africana não concordou e mudou a sede do torneio para a África do Sul. O campeonato ocorreu em pleno surto da doença, que se espalhava desde o final de 2013. Quando a epidemia acabou, cerca de 11 mil pessoas tinham morrido.

A importância da literatura nativa

“As pessoas sempre veem os indígenas como atrasados, mas não somos, nós temos uma cultura diferente. A literatura nativa faz com que a sociedade entenda melhor os índios”. O escritor guarani Olívio Jekupé se refere a livros sobre a cultura dos povos indígenas escritos por eles mesmos. São histórias que costumam ser transmitidas apenas oralmente entre seus membros.

O primeiro livro publicado por Olívio Jekupé com a Panda Books.

A literatura nativa coloca o leitor em contato direto com a cultura e a visão indígena. Olívio escreve desde 1984, quando quase não havia autores nativos, e era difícil ter espaço para publicações. “As editoras gostavam de publicar livros de antropólogos, a gente não tinha muito acesso”, afirma. Diretora de projetos especiais da Panda Books, Tatiana Fulas explica que o cenário começou a mudar a partir da promulgação da lei nº 11.645, de 2008, que tornou obrigatório o ensino da cultura indígena e afro-brasileira na educação básica. “O que a lei ajudou a fomentar foi o protagonismo dos autores indígenas, dando-lhes a possibilidade de serem os narradores de suas próprias histórias”, complementa.

Olívio Jekupé e Werá Jeguaka Mirim, o Kunumi MC.

Em 2014, o jovem Werá Jeguaka Mirim, filho de Olívio, publicou pela Panda Books a primeira autobiografia de uma criança indígena, o livro Kunumi Guarani. O pai ajudou na tradução do texto, escrito originalmente em guarani — Werá ainda não dominava a língua portuguesa. “A ideia da obra era mostrar o cotidiano de uma criança indígena que morava próximo a uma região urbana, rompendo com a clássica representação dos índios isolados”, explica Tatiana. Eles vivem na aldeia Krukutu, na região de Parelheiros, Zona Sul de São Paulo.

Além de escritor, Werá também é rapper, conhecido na cena musical como Kunumi MC: “Foi difícil quando comecei a cantar, porque tem muito preconceito na cidade. Falam que o índio não pode cantar rap ou escrever música. Tem que viver na floresta, isolado”. Seu pai também retrata episódios de preconceito. Formado em filosofia pela USP e ex-professor de educação básica, ele conta que às vezes os alunos pesquisavam o que era ensinado em sala de aula, pois não confiavam no seu conhecimento. Atualmente, Olívio Jekupé escreve e é palestrante, mas ainda passa por problemas. “Nas palestras, as pessoas tomam susto, mas quando começo a apresentação, elas ficam impressionadas e me tratam bem”, diz.

Werá se mostra feliz com o desenvolvimento de seu trabalho. Ele conta que várias escolas adotam livros seus, e pessoas não indígenas ouvem os raps. “Hoje, conseguem ver melhor como é a nossa realidade aqui na aldeia indígena”.

Como o circo pode estimular as crianças

Um novo circo chegou! Movida pelas lembranças afetivas de palhaços e trapezistas, a autora Leninha Lacerda leva as atividades do picadeiro para o cotidiano das crianças com o livro Sou de circo, lançado pela Panda Books.

“A minha geração teve muitos palhaços queridos”, diz a escritora, citando Torresmo e Pururuca, Chupeta e Chupetinha e Arrelia como exemplos. “As calças caindo, os colarinhos e gravatas desobedientes, os sapatos enormes, o nariz vermelho, os tropeções, a maquiagem, as cores fortes, a bandinha pontuando, a água espirrando e a gente sorrindo!”, lembra. Leninha ainda fala que os animais causavam certa estranheza nela e a deixavam com pena, mas era a melhor oportunidade que ela e sua família tinham para chegar perto de bichos como tigres, leões e ursos. Havia também os trapezistas, que a deixavam de pescoço esticado e boca aberta. “Aquele era mesmo o maior espetáculo da Terra”, afirma a autora.

Foi com a influência de todo esse cenário que Sou de circo surgiu. O livro incentiva as crianças a trabalhar o corpo e brincar em qualquer lugar, desde o parque até o sofá da avó. O importante é usarem a imaginação sem amarras e o corpo para a diversão. A autora também mostra aos pequenos como é importante persistir, suar, tentar e cair. Os artistas – assim como as crianças – precisam de dedicação e coragem.

Foto: divulgação

O trabalho com fotografia editorial

Durante a produção de Eu estou aqui, a fotógrafa Daiane da Mata passou um ano e meio acompanhando a escritora Maísa Zakzuk em visitas a casas e escolas onde vivem crianças refugiadas no Brasil. Foi necessária a confiança e a autorização das famílias para fotografar os jovens que hoje estão na obra de Maísa.

Miolo do livro Eu estou aqui com foto de Daiane da Mata.

Livros abordam os mais variados assuntos e essa é uma das principais características do trabalho com fotografia no ramo editorial. Alexandre Battibugli já fez cliques para o Almanaque Desimpedidos e para o Livro do quindim. “O fotógrafo está acostumado e preparado para fotografar qualquer evento”, afirma. Como exemplo, cita que também já trabalhou para jornais e hoje atende revistas, onde a variedade faz parte do cotidiano.

Em O livro do quindim, o fotógrafo acompanhou a produção das receitas para capturar as etapas. Foto: Alexandre Battibugli

O desafio pode ir além. Daiane conta que, ao registrar pessoas refugiadas, viu como elas têm muita insegurança, pois há momentos em que não são bem tratados. Foi necessário explicar com clareza o projeto para eles. “A ideia era falar dos refugiados de outra maneira, da vida mais lúdica da criança, falar um pouco da história deles para que outras crianças também se identificassem”, diz.

Para Alexandre, o mais complicado é colocar nas fotos as características dos personagens e compreender a imagem que a editora deseja. Paula Korosue também já trabalhou com diferentes publicações, como Os sucos da Mari e Navio negreiro. Ela concorda que ter “múltiplos talentos” é importante para atender aos projetos, e fala sobre fotografar pessoas que não gostam de sair em fotos, mas precisam fazer isso. “Conseguir tirar um olhar sincero, ou ainda um sorriso não forçado são grandes desafios dessa profissão”.

Daiane também documenta a rotina de famílias e a vida pessoal de domésticas para projetos pessoais. Ela explica que, ao serem retratadas, as pessoas buscam mais uma estética ideal do que o registro daquele momento como realmente é. Quando está trabalhando, a fotógrafa busca um equilíbrio entre o esperado pelos clientes e a sua visão. “Tento fazer uma foto que ela vai colocar num porta retrato e que também represente o momento da fotografia”, diz.