A Revolução de 1932 de A a Z

Por que o 9 de julho é uma data tão importante para o estado de São Paulo? Esse dia batiza uma das principais avenidas da capital e é feriado em todo o território paulista. Em 9 de julho de 1932, São Paulo se transformou num verdadeiro campo de batalha, e a população pegou em armas para lutar contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas e a favor da promulgação de uma nova Constituição.

Ricardo Della Rosa, autor de “Revolução de 1932”. Foto: Divulgação.

Para você conhecer alguns dos mais curiosos detalhes da Revolução Constitucionalista de 1932, o Panda News preparou um A a Z, com base nas informações que estão no livro Revolução de 1932, de Ricardo Della Rosa. Com 128 páginas e 450 imagens inéditas, a obra revela uma faceta pouco explorada sobre o conflito. Há ainda uma edição especial de colecionador, que acompanha 10 fac-símiles.

A – Armas de fogo

Antes de a Revolução de 1932 estourar, a produção bélica de São Paulo se resumia a 25 mil cartuchos e 25 mil granadas de mão por dia. O conflito provocou uma intensa mobilização industrial na região de São Bernardo, que elevou os números diários para 220 mil cartuchos e 220 mil granadas. Profissionais da Escola Politécnica e do Instituto de Engenharia colaboraram com o desenvolvimento de projetos de armas mesmo sem dominar essas técnicas. No fim das contas, São Paulo desenvolveu morteiros, bombadas, espingardas e até um lança-chamas.

B – Brasão

Quando a Revolução despontou, a bandeira de São Paulo e o brasão de armas da cidade foram logo adotados como símbolos pelos combatentes e simpatizantes. Mas a comissão de propaganda tratou de providenciar a arte que representaria o Estado como um todo, e transformou um desenho criado pelo artista plástico José Wasth Rodrigues no brasão do Estado de São Paulo, instituído por decreto governamental ainda em 1932.

C – Campanha do Ouro

Um crowdfunding para a Revolução! Esse seria o slogan da Campanha do Ouro, caso a Revolução de 1932 tivesse ocorrido nos tempos atuais. Lançada em 8 de agosto de 1932, a Campanha do Ouro Para o Bem de São Paulo arrecadou dinheiro, alianças, pedras preciosas e diversos objetos de valor do povo paulista. Os itens eram revertidos em medicamentos, armas, alimentos, produtos de higiene e uniformes para os soldados do front.

D – Desigualdade, Discrepância e Diferença

A discrepância entre as forças paulistas e as federais era tão grande que é de se espantar que os combates tenham persistido por tanto tempo. Foram cerca de 40 mil combatentes armados do lado do Estado de São Paulo contra 300 mil a 350 mil homens federalistas. Havia também notável diferença no preparo dessas tropas. Estima-se que 25 mil dos soldados paulistas eram voluntários sem o mínimo treinamento específico para a guerra, enquanto o lado federal era composto em sua totalidade por integrantes do Exército, da Marinha, das polícias estaduais e da Aviação.

E – Estrangeiros

As colônias estrangeiras que viviam em São Paulo colaboraram com o Movimento Constitucionalista, cada uma à sua maneira: de modestas arrecadações materiais ao alistamento de voluntários para os batalhões civis. Os italianos, por exemplo, arrecadaram bastante dinheiro para a Revolução. Já a colônia síria contribuiu com a produção de capas impermeáveis para proteger os soldados. Os alemães entregaram cinco ambulâncias moderníssimas, montadas e equipadas.

F – Feminina

A Revolução de 1932 provocou uma união feminina sem precedentes na história do Brasil. No total, mais de 70 mil mulheres trabalharam como voluntárias em oficinas de costura, na Cruz Vermelha, no Departamento de Assistência aos Feridos, na Campanha do Ouro, em postos de enfermagem e na produção das marmitas dos combatentes.

G – Getúlio Vargas

Em 1930, o então governador do Rio Grande do Sul Getúlio Vargas liderou um movimento armado que culminou num golpe de estado que depôs o presidente em exercício, Washington Luís, impediu a posse do presidente eleito, Júlio Prestes, e instituiu um Governo Provisório. No ano seguinte, uma grave crise econômica, que assolou São Paulo e levou o desemprego a patamares até então desconhecidos, foi o estopim do processo de ruptura dos paulistas com o governo Vargas, que culminou na Revolução de 1932.

H – Herói

A lei 12.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo como heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria. Mas outro nome, menos conhecido do público, também ficou marcado como um grande herói da Revolução. Durante o conflito, o jornalista Ibrahim de Almeida Nobre, membro da Academia Paulista de Letras, não se limitou a atuar na sua área; também realizou discursos em comícios, convocou a participação popular e se alistou para o front, atuando em um batalhão que acabou batizado com seu nome: o Batalhão Ibrahim Nobre, da Frente Sul.

I – Improviso

Com o dinheiro curto e pouca estrutura, a Revolução de 1932 ficou marcada pelos improvisos. Um deles merece destaque: a dedicação de obstinados engenheiros a blindar trens para serem usados em combate no interior paulista – possível porque boa parte da luta se dava perto das estradas de ferro: a Sorocabana, a Mogiana, a Central do Brasil. Esses veículos, que se tornaram mitológicos, foram talvez a arma mais eficaz dos revolucionários contra as tropas de Getúlio Vargas.

J – Júlio Prestes

Quando a Revolução de 1932 aconteceu, Júlio Prestes de Albuquerque já era uma personalidade influente. Entre 1927 e 1930, foi presidente do Estado de São Paulo – cargo equivalente ao atual governador. Em 1930 seria eleito presidente do país, impedido de ocupar o cargo por causa da Revolução de 1930. Em 1932, Prestes estava exilado. Mesmo longe, apoiou fervorosamente o Movimento Constitucionalista.

K – Klinger

Um dos principais nomes militares da revolta, o general Bertholdo Klinger era comandante do estado do Mato Grosso quando se distanciou do grupo político que apoiava o Governo Provisório de Getúlio Vargas e se juntou aos conspiradores constitucionalistas. Já no Comando Supremo do denominado Exército Constitucionalista, foi responsável direto pelo estopim do conflito. Uma carta ofensiva que ele enviou ao então recém-nomeado Ministro da Guerra, general Inácio do Espírito Santo Cardoso, sinalizou ao Governo Provisório a intenção de deflagração do levante. Em 8 de julho, Klinger foi afastado de seu cargo oficial e, no dia seguinte, deu-se início à revolta.

L – Lei

A Revolução de 1932 é também conhecida por Revolução Paulista e Revolução Constitucionalista – este último, por um motivo bem claro: seus apoiadores lutaram pela volta do país ao império da Lei, demandando eleições e uma nova Constituição (que nada mais é do que o conjunto de normas que regem um Estado). O objetivo não foi conseguido de imediato, mas em 1934, depois de muita pressão popular, o governo de Getúlio Vargas finalmente promulgou uma nova Constituição.

M – MMDC

Criada em 24 de maio de 1932, a MMDC foi uma poderosa organização civil montada para apoiar os paulistas durante a Revolução. Faziam parte dela pessoas influentes nas academias, na política, na indústria e no comércio, mas seu nome acabou se tornando a sigla MMDC em homenagem aos jovens mortos em 23 de maio, na véspera de sua fundação. Assassinados por tropas federais em meio a uma manifestação, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo são considerados os mártires do Movimento Constitucionalista de 1932.

N – Nove de Julho

A Revolução Constitucionalista teve início oficial em 9 de julho de 1932, cinco dias antes da data prevista. A estratégia de antecipação do conflito era arriscada, mas tinha objetivos maiores: ajudar a reverter a situação do general Klinger, que havia perdido suas tropas no Mato Grosso, e inflamar o clamor popular, para atrair mineiros e gaúchos à luta. A data é tão significativa para a história de São Paulo que, desde 1995, o 9 de julho é considerado feriado civil estadual.

O – Obelisco

Inaugurado em 1960 na cidade de São Paulo, o Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista – mais conhecido simplesmente como Obelisco do Ibirapuera – é a grande homenagem aos que morreram na Revolução de 1932. O conjunto artístico e arquitetônico projetado por Galileo Emendabili tem 68 metros de altura e exatos 1.932 metros quadrados de área construída, em referência ao ano da Revolução. O número 32 ainda aparece – não por acaso – na metragem da largura da cripta e no número de projéteis esculpidos em mármore exibidos em sua fachada.

P – Propaganda

Incisivos, os cartazes que convocavam voluntários a engrossar as fileiras de combate em 1932 eram eficientes obras do Departamento de Propaganda da MMDC. O mais famoso desses cartazes dizia: “Você tem um dever a cumprir. Consulte sua consciência”. Os distintivos também funcionaram como peças de propaganda: criaram-se mais de duzentos tipos diferentes, com as bandeiras de São Paulo e do Brasil, o brasão de armas paulista e slogans como “Tudo por São Paulo”.

Q – Queda da Bastilha

Inicialmente, a Revolução de 1932 estava programada para estourar em 14 de julho, numa homenagem à Queda da Bastilha. Ocorrida em 14 de julho de 1789, a invasão da Bastilha e a consequente Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão marcaram a fase inicial da Revolução Francesa, que provocou uma transformação épica na França e em toda a Europa, com a derrubada dos antigos ideais da hierarquia aristocrata e a imposição dos novos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade.

R – Revolução

O termo “revolução” ganhou conotação política no século XVII, quando passou a ser usado para indicar acontecimentos capazes de abalar a ordem social de uma nação. A Revolução de 1932 acabou sendo sufocada pelas tropas de Getúlio Vargas, mas, do ponto de vista político, o que se viu foi o fortalecimento do projeto liberal e constitucionalizante, tão almejado pelos paulistas.

S – São Paulo

Com quase 46 milhões de habitantes e uma economia que responde por 32,5% do total de riquezas produzidas no país, São Paulo é o estado mais populoso e desenvolvido do Brasil. A Revolução Constitucionalista, considerada o maior movimento cívico da história de São Paulo, provou que, desde aquela época, o estado já era uma potência industrial. Organizada pela Federação das Indústrias de São Paulo em parceria com a Associação Comercial, a mobilização para armar os combatentes paulistas aumentou a produção bélica do estado em 10 vezes.

T – Tecnologia e Técnica

Criada pelo Instituto de Engenharia e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Comissão Inspetora das Delegacias Técnicas (CIDT) forneceu serviços de engenharia tecnológica à força revolucionária. Os cerca de 250 graduados em engenharia que se inscreveram no programa produziram mapas de estradas, construíram e conservaram campos de aviação, instalaram linhas telefônicas e telegráficas e fizeram até um sistema de purificação de água para abastecer as tropas no front.

U – Uniforme

Fabricado em São Paulo durante a Revolução, o uniforme de voluntário paulista era composto por uma camisa cáqui com acessórios em lona e a patente bordada costurada na manga, braçadeiras de pano, cobertura cáqui para a cabeça (popularmente chamada de “capacete de pano”), porta-munição de pano, cinto de couro com coldre e porta-ferramentas, saco de pano para itens de primeiros-socorros e pulseira de identificação do combatente. No kit de utensílios distribuído aos voluntários, havia uma bússola, um cantil de metal, uma pá de trincheira e facões.

V – Voluntários

O voluntariado foi uma das peças-chave que possibilitaram que a Revolução de 1932 de fato acontecesse. Além do papel prestado nos campos de batalha, na produção industrial, na propaganda e nos serviços de necessidade básica, o movimento voluntário atuou também na reposição da Força Pública, que se viu desfalcada com o empenho de seus membros em participar da guerra. Durante o conflito, funcionou em São Paulo uma organização denominada Serviço de Policiamento Civil, que atuou de forma voluntária com o objetivo de evitar as ações de gatunos, ladrões e larápios oportunistas.

X – Xavantes

Os batalhões formados nas cidades do interior paulista foram de extrema importância para que as forças da Revolução atingissem de forma expressiva o território estadual. Um dos palcos de batalha foi a pequena cidade de Xavantes, localizada na divisa com o Paraná – ponto estratégico para a contenção das tropas federais. Nas margens do Rio Paranapanema, soldados paulistas se punham a postos, à espera da invasão gaúcha. Hoje, no local, jaz uma pedra com uma mensagem escrita por um soldado constitucionalista com a sua baioneta.

W – Winchester

Durante a Revolução de 1932, foram incorporadas ao arsenal dos combatentes várias carabinas Winchester modelo 1892, arma pesada, não necessariamente adequado ao meio urbano. Parte delas foi doada pela população civil ao esforço constitucionalista, enquanto outras foram requisitadas aos estabelecimentos comerciais de caça e pesca. Se não bastasse, vários voluntários se apresentaram para o serviço militar usando suas próprias Winchesters – são famosas as fotos feitas nas imediações da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, com estudantes armados com elas.

Y – Ypiranga

Foi exemplar a atuação dos Correios durante a Revolução de 1932: estivesse onde fosse, se vivo, o combatente destinatário de uma carta a receberia, em mãos. Detalhes cuidadosos como cartões-postais temáticos e selos especiais tornaram o movimento ainda mais memorável para aqueles que arriscavam se corresponder. A gráfica Ypiranga se dispôs a imprimir de forma voluntária uma série de selos desenhada especialmente para a ocasião, que circulou oficialmente até o final de 1932 (e hoje, é claro, é item de colecionador).

Z – Zona de combate

De 9 de julho a 2 de outubro de 1932, o estado de São Paulo viu proliferarem-se zonas de combate em seu território. Muitas cidades do interior foram completamente invadidas tanto por tropas paulistas como por federais. A MMDC ficou responsável pelo amparo às famílias denominadas “retirantes de zonas de combate”. Quando a situação se complicou em determinadas cidades – como Areias, Buri e Queluz, que acabaram sitiadas –, moradores eram encaminhados para a retaguarda e a organização os auxiliava.

Casal Animal: livros que são o bicho!

Os biólogos Rachel Azzari e Guilherme Domenichelli levam uma vida quase comum. Ela trabalha na Coordenadoria de Educação Ambiental do Estado de São Paulo, ele presta consultoria ambiental para empresas, é palestrante e youtuber. São pais de Gabriela, de 6 anos, e Isadora, de 2.  O “quase comum” fica por conta do número de animais de estimação que a família tem em casa: uma tartaruga, uma rã, dois jabutis, uma jiboia, várias baratas de Madagascar (uma das maiores do mundo), um teiú e até uma lagartixa, Frida, da espécie lagartixa-leopardo, originária do Oriente Médio e da Índia.

Rachel conta que eles também “recebem” animais em casa, como lagartixas comuns que sempre são bem-vindas e têm seu espaço respeitado. Durante a entrevista por vídeo chamada, Guilherme apontou para o quintal da casa e disse: “Aqui perto tem uma aranha bem grandona na teia, a gente respeita também”. Para manter segura a convivência dos bichos exóticos com as filhas, o casal procura sempre conscientizá-las do cuidado que precisam ter. “São animais que podem estranhar e machucar”, explica Rachel. “Mesmo que não seja uma questão de agressividade, eles têm um instinto de se defender”.

O “Casal Animal” se conheceu há 10 anos em um trabalho realizado no Zoológico de São Paulo. Até o primeiro beijo deles aconteceu ao lado do zoo, no Jardim Botânico da cidade. Guilherme já tinha publicado o almanaque Girafa tem torcicolo?. Desse namoro nasceram outros quatro livros, todos pela Panda (nada é por acaso, né?) Books. Rachel lançou o Almanaque do Fundo do Mar em 2013 e Guilherme escreveu Criaturas noturnas, O resgate da tartaruga e Mistério na Floresta Amazônica. “A gente se completa muito nos livros”, diz Rachel. “A Rachel consegue lapidar minhas ideias com melhores informações”, elogia Guilherme.

Os livros permitiram que Guilherme desenvolvesse outra paixão: as conversas com os alunos das escolas que adotam suas obras. E são muitas! Para essa atividade, o autor sempre vai acompanhado por alguns dos pets. “Vira uma aula interativa, com um visual bem bacana”, entusiasma-se. Dessas atividades com as crianças nascem muitas ideias para os vídeos que ele publica no Canal Animal TV, atualmente com 500 mil inscritos.

Sobre o Dia dos Namorados, Rachel e Guilherme contam que, de todos os animais de estimação da família, há apenas um casal: os jabutis Hellboy e Catarina. Para quem acha que o namoro dessa espécie é devagar, quase parando, uma surpresa: os jabutis estão entre os bichos mais namoradores da natureza. “Eles são lentos só para andar!”, diverte-se Guilherme.

No Dia dos Namorados, das 17h às 18h, Rachel e Guilherme irão apresentar uma live no Canal Animal TV com curiosidades do amor no reino animal. Não perca! Haverá também uma super promoção com os livros dos dois biólogos.

O protagonismo das crianças na educação

Apenas na década de 1980 a antropologia percebeu a importância de estudar as crianças, e recentemente essa consciência chegou a áreas como psicologia, neurociência, economia e urbanismo.

“Ainda ignoramos o protagonismo das crianças, até porque, esse é um tema muito novo”, explica a pedagoga, antropóloga e pesquisadora Adriana Friedmann, autora do livro A vez e a voz das crianças: escutas poéticas e antropológicas das infâncias, lançamento do selo Panda Educação. Adriana compilou ideias de muitos autores e experiências adquiridas em suas atividades. “É uma síntese de estudos, pesquisas e trocas permanentes com os educadores, mas uma síntese aberta. O que temos para aprender com as crianças é um conhecimento que não acaba”, esclarece.

“A vez e a voz das crianças” é o mais recente lançamento do selo Panda Educação.

O procedimento de pesquisa é diferente do utilizado com adultos, pois as crianças ainda estão em formação e, por isso, muito mais sujeitas a mudanças e influências da mídia, do marketing e das redes sociais. Esses pontos ainda se misturam à cultura local onde a criança vive. “É importante entender que existem diversidades de vidas, porque existem diferentes contextos, então não podemos mais pensar que há um ideal de criança”, afirma Adriana.

A autora sempre trabalhou com a formação de professores e educadores junto a fundações, ONGs, escolas e universidades, além de desenvolver o projeto Mapa da Infância Brasileira, uma plataforma para a divulgação de iniciativas realizadas com crianças em todo o país, buscando inspirar profissionais da educação. No projeto, Adriana e seu grupo realizou escutas das crianças, aumentando o conhecimento e a compreensão das diversas infâncias que existem no Brasil. Uma parte importante do que ela compartilha em A vez e a voz das crianças veio dessa experiência. “Crianças em São Paulo, filhos de imigrantes bolivianos, nos mostraram, por meio de suas brincadeiras, um retrato da vida delas”, exemplifica.

Por que falar sobre imigrantes com as crianças

Histórias, informações e curiosidades. A coleção Meu avô, publicada pela Panda Books, apresenta origens de diferentes grupos que imigraram ao Brasil e retrata a importância de conhecer e cultivar suas culturas. A coleção integra o acervo do espaço “Semear Leitores”, uma iniciativa da Fundação Bunge dentro no Museu da Imigração (MI), em São Paulo. O espaço foi inaugurado em novembro de 2019 e incentiva crianças a lerem sobre o tema.

A coleção “Meu avô” aborda culturas que imigraram de diferentes regiões do mundo para o Brasil.

Estudar as histórias dos imigrantes é importante para as crianças conhecerem melhor a si mesmas e a sociedade em que vivem. “Desenvolve várias camadas de percepção: quem sou eu, quem é a minha família, meu amigo da escola e o que é o país onde estou”, explica Isabela Maia, educadora do MI. Ela acrescenta que esse conhecimento também traz questionamentos sobre quem são as pessoas que imigraram, as que imigram hoje e como a acolhida no meu país se transforma com o tempo.

A cultura é dinâmica. Quando um grupo chega a determinado lugar, ele acrescenta modos de ver o mundo, palavras, comidas e costumes. Segundo Isabela, esse fato faz tradições serem reinterpretadas e tem reflexos nas expressões das crianças, pois elas enxergam o mundo de uma maneira própria. “Quando ensinamos brincadeiras ou palavras novas, elas reinterpretam isso e reinserem na sociedade de formas inesperadas”, explica.

Isabela conta que é possível conhecer a história da própria família conversando com pessoas mais velhas, como os avós. Eles podem revelar nomes, histórias, costumes, datas de nascimento e chegada ao Brasil de antepassados. Dá para montar uma árvore genealógica enquanto se aprende sobre a vida dos familiares.

Fachada do Museu da Imigração, localizado no bairro da Mooca, em São Paulo. Foto: Vanessa Canoso/divulgação.

O MI ocupa o prédio da antiga Hospedaria do Brás, que entre 1887 e 1978 recebeu cerca de 2,5 milhões de pessoas estrangeiras e de outras regiões do Brasil. Além da hospedagem, esse público teve auxílio para encontrar emprego e pôde contar com a estrutura do local, que ia desde lavanderia e correios à assistência médica e odontológica. O Museu surgiu em 1993, e, só no ano passado, foi visitado por cerca de 31 mil crianças. Apesar de estar fechado para visitas, o MI continua em atividade, oferecendo materiais educativos e contações de histórias em suas redes sociais. “O site do museu tem muita coisa – fotografias, mapas, informações sobre os objetos do acervo e os documentos dos imigrantes digitalizados, transformados em bancos de dados”.

Como fica a vida dos jovens no novo normal

Uma pesquisa mundial conduzida pela rede de comunicação britânica BBC ouviu 46 mil pessoas com idades entre 16 e 99 anos. Os resultados, publicados no periódico científico “Personality and Individual Differences”, constataram que os jovens são mais impactados por esse período sem sair de casa do que os mais velhos. “Eles dependem mais da socialização, principalmente os adolescentes no espaço da escola”, explica Jairo Bouer, médico psiquiatra especialista em sexualidade e autor de quatro livros publicados pela Panda Books. Bouer também é coautor de “O Guia dos Curiosos – Sexo”, ao lado do jornalista Marcelo Duarte. A pesquisa mostrou ainda que o sentimento de solidão depende mais da expectativa que os indivíduos têm em relação às conexões sociais do que da quantidade de pessoas com quem se relaciona. Jairo Bouer concedeu a seguinte entrevista ao Panda News.

Panda News – Você acredita que haverá uma mudança muito grande no comportamento sexual dos jovens depois da pandemia?

JAIRO BOUER – É um exercício de futurologia, porque não sabemos exatamente quando ela vai acabar e como será. Tenho a percepção de que não voltaremos para uma situação de normalidade imediatamente. Nos países mais atingidos, ainda não há notícias de aberturas de baladas, festas, cinemas, teatros, shows e eventos esportivos. Encontrar alguém fora dessas situações é mais difícil. Eu acho que, esse ano, ainda existirá uma restrição social, e isso pode impactar o comportamento sexual dos jovens. Ano que vem, se conseguirmos retornar a algo mais próximo da normalidade, devemos ver um comportamento semelhante ao anterior da pandemia. Não acredito que haverá uma ruptura muito grande dos padrões.

Os jovens serão mais seletivos? Ou correr risco faz parte dessa fase da vida?

Correr risco faz parte dessa fase da vida. Há mais de 20 anos recebo contatos de jovens que fizeram coisas mesmo sabendo que não deveriam. Uma vez que a situação retorne ao normal, ou se aproxime disso, os jovens voltarão a correr riscos, mas, nesse momento, acredito que estejam mais seletivos. Quem namora e consegue se encontrar, tudo bem. Os solteiros até podem buscar pessoas em aplicativos, mas é muito mais difícil criar uma situação para encontros pessoais, por viverem muito próximos à família, e por estarem mais preocupados. Do ponto de vista da sexualidade, o indivíduo pode ficar à vontade, desde que use camisinha. Em tempos de coronavírus, teoricamente, não há sexo seguro.

Não há cuidados que possam ser tomados que ainda não eram?

Não tem jeito. Só se transar ao ar livre, usar máscara e tentar manter uma distância entre um metro e meio ou dois. O contato sexual envolve proximidade entre as pessoas e muita troca de fluidos.

Haverá mais choque com os pais, que estão mais atemorizados?

As relações em casa estão muito mais concentradas, todo mundo fica no mesmo espaço quase que o tempo inteiro. Os conflitos se tornam mais visíveis e emergentes. Isso exige um chumbo de estrutura de paciência, de lidar com limites, e impulsividades muito grandes. É uma área de conflitos. Tanto que estão crescendo os casos de violência doméstica e violência contra mulher.

O que a pandemia ensinou aos jovens?

Aprender a lidar com esse “estar em casa” por mais tempo, longe das pessoas que eles gostam e mais tempo próximos à família, tolerando as diferenças dentro de casa, enfrentando angústias, ansiedades e dificuldades causadas pela falta de interações sociais.

Jairo Bouer na Panda Books.

Sucesso da coleção Vaga-Lume, suspense na final do campeonato de futebol ganha nova edição

A primeira edição de “Jogo sujo” foi lançada em 1996 pela prestigiosa Coleção Vaga-Lume, da Editora Ática. O time do Dínamo se classifica para a final do Campeonato Brasileiro, mas seu artilheiro desaparece misteriosamente logo depois da partida. “Onde estará Zuba?”, perguntam torcedores, dirigentes, jornalistas e familiares. O sonho de conquistar a taça vira um pesadelo para os companheiros de equipe. Até que uma jovem repórter descobre uma pista e resolve investigar o caso por conta própria. A trama, escrita pelo jornalista Marcelo Duarte, ganha agora uma edição revista e atualizada pela Panda Books. Vale lembrar que o autor tem muita intimidade com os bastidores do futebol. Dirigiu a revista Placar e apresentou o programa “Loucos por futebol”, da ESPN-Brasil, por 12 anos. Cobriu também quatro Copas do Mundo. Confira o bate-bola que o Panda News fez com ele:

Como foi publicar seu primeiro romance pela coleção Vaga-Lume?
Na quarta série, minha primeira leitura autônoma foi “O caso da borboleta Atíria”, de Lúcia Machado de Almeida, que também escreveu “O escaravelho do diabo”, que li no ano seguinte. Adorei os dois. Mas o autor que me marcaria de verdade foi Marcos Rey. Meu sonho de adolescência era escrever aventuras iguais às dele. Aos 16 anos. li “O mistério do cinco estrelas” e foi amor à primeira vista. Depois vieram na sequência “O rapto do garoto de ouro” e “Um cadáver ouve rádio”. Não parei mais. Lia cada livro pelo menos duas vezes. A primeira para curtir o suspense e a segunda para estudar a trama, os personagens, as pistas. Em 1996, depois de já ter publicado “O guia dos curiosos”, consegui realizar o sonho de publicar meu primeiro livro pela Vaga-Lume (embora, ao mesmo tempo, tenha descoberto que jamais escreveria como meu mestre).

Há alguma mudança entre a história de 1996 e a edição de 2020?
A trama é exatamente a mesma. Só atualizei o cenário. Em 1996, por exemplo, o celular e o computador ainda não faziam parte de nossa realidade. Imagine que os personagens usavam telefones fixos e orelhões para se comunicar. A internet também mudou o jeito de acompanhar o futebol. Teria que colocar notas de rodapé para explicar o que são ficha telefônica, toca-fitas e locadora de vídeo… Por isso, resolvi incluir as “modernidades” na nova edição. “Jogo sujo”, agora publicada pela Panda Books, ganhou também um novo projeto gráfico, e uma nova capa e novas ilustrações, assinadas por Leblu.

O livro fala dos bastidores de um campeonato de futebol. Mas, ao pensar na história, a sua ideia era falar de vôlei?
Sim. Na primeira versão do livro, Zuba, o personagem principal, era um jogador de vôlei. Quando apresentei o original para Carmen Lúcia Campos, então editora assistente da Vaga-Lume, ela disse que seria melhor mudar o esporte, pois havia acabado de sair um livro com a mesma temática, “Vencer ou vencer”, escrito por Raul Drewnick. Segui o conselho dela e Zuba virou um craque de futebol.

O título que você imaginou para o livro era outro?
Era outro, sim. Conto essa história na orelha da nova edição. O título que eu havia escolhido foi “O mistério do camisa 9”, mas, aos 45 minutos do segundo tempo, o editor Fernando Paixão sugeriu “Jogo sujo” e assim ficou.

Por causa do “Jogo sujo”, o personagem Zuba virou um talismã seu?
Exatamente. Peguei o apelido emprestado de um jornalista que trabalhou comigo na redação da revista Placar na década de 1980. “Jogo sujo” me deu tanta sorte que, em todos os seis romances infantojuvenis que vieram depois, eu dou sempre um jeito de citar o Zuba em algum momento da história.

Autores contam suas melhores histórias nerds

O Dia do Orgulho Nerd é celebrado em 25 de maio. Há três razões para a escolha da data: o lançamento do primeiro Star Wars (1977); uma homenagem a Douglas Adams, autor de O guia do mochileiro das galáxias, conhecida também como Dia da Toalha; e a série Discworld, do escritor Terry Pretchett. Na obra, o dia celebra a queda da monarquia e a instauração da República na cidade-Estado de Ankh-Morpork. No clima dessa celebração, o Panda News convidou seis autores de livros sobre games para contarem qual foi seu momento nerd mais marcante.

Claudio Prandoni, autor de Pokémon Go de A a Z e League of Legends.
O grande sonho de quem escreve sobre videogame é visitar a E3, uma das maiores feiras de games do mundo. Ela acontece em Los Angeles e só fui ao evento uma vez, em 2018. Antes de a feira começar, algumas desenvolvedoras de jogos fazem eventos próprios. Eu estava em uma delas, quando, inesperadamente, chamaram Shigeru Miyamoto no palco, criador de Super Mario e Legend of Zelda, praticamente o Walt Disney da Nintendo! Super Mario foi um dos jogos que me fizeram gostar tanto dos videogames e seguir isso como profissão, mas eu nunca tinha visto o criador da série de perto. Na hora, as lágrimas vieram aos meus olhos.

Claudio Prandoni, o autor que pôde assistir à uma palestra do criador de Super Mario, um de seus maiores ídolos.

Guilherme Athaide, autor do Almanaque dos games de futebol e Clash Royale.
Em 2010, eu tinha 19 anos e fui ao meu primeiro encontro nerd. Em 25 de maio, participei de um encontro na Avenida Paulista, quando ainda se falava mais em Dia da Toalha. A organização aconteceu pelo Twitter, as pessoas foram com toalhas e nos encontramos em uma banca para ficar conversando sobre assuntos nerds como games e filmes. Ao longo dos anos, essas comemorações cresceram muito mais, o que é libertário, porque antes, as pessoas nerds tinham vergonha de se expor.

Nathan Fernandes, co-autor do Almanaque de Games.
Em 2015, quando existiam poucas lives, comecei a fazer transmissões diárias pela Revista Galileu. Foi um período muito especial pelas experiências que tive, como ir ao Havaí assistir à parte das gravações de King Kong. Levei mais de 24 horas até lá, cheguei e dormi. No dia seguinte, assisti à gravação, dormimos de novo e vim embora. Lá, entrevistei Tom Hiddleston, o Loki de Os vingadores, e Brie Larson, que ainda não era a Capitã Marvel e não tinha ganhado o Oscar. Dois meses depois, ela levou a estatueta de Melhor Atriz com o papel que fez em O quarto de Jack.

Nathan Fernandes em Honolulu, Havaí, durante as gravações de King Kong: A ilha da caveira

Priscila Ganiko, autora de Overwatch.
Eu e mais duas amigas criamos o blog “Minha Tia Joga LoL”, em 2012. O nome foi em homenagem à tia de uma das meninas que estudava com a gente e jogava videogame. Nós escrevíamos sobre o jogo League of Legends (LoL), acabamos chamando atenção com isso, até que a produtora do game nos convidou para fazer parcerias. Por causa disso, fui trabalhar no UOL Jogos e consegui outros empregos até me tornar jornalista especializada em games.

Sérgio Miranda, autor de Minecraft de A a Z.
Fui ao lançamento de Star Wars: Episódio IV – Uma nova esperança, quando tinha 10 anos. Aquela foi a primeira vez em que me deparei com uma fila enorme do lado de fora do cinema. Lá dentro, pude ver uma máquina de fliperama do jogo Space Invaders ajudando a promover o filme. Além de ter muita gente no dia, naquela época, não existia a obrigação de sair da sala, e muitas pessoas assistiam a sessões repetidas – isso me deixou na fila por bastante tempo.

O autor Sérgio Miranda esteve na estreia do primeiro Star Wars, filme que chegou ao Brasil em janeiro de 1978.

Victor Bianchin, co-autor do Almanaque de games.
Em 2008, o escritor Neil Gaiman veio ao Brasil participar da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Eu era fã da HQ Sandman, então precisava ir à Flip vê-lo! Chamei uma amiga, viajamos de madrugada, chegamos lá bem cedo e, como fomos de última hora, só conseguimos uma pousada decrépita. Não havia lugar na palestra dele, mas assistimos em um telão e fomos para a fila de autógrafos. Foram 3 horas de espera em pleno verão do Rio de Janeiro para conseguir o autógrafo! Tirei uma foto engraçada: estou olhando para a câmera e o Gaiman para o livro, ainda autografando.

Victor Bianchin levou vários livros para Neil Gaiman autografar.

Os 18 anos dos livros de Todd Parr no Brasil

Tudo bem ser diferente foi o primeiro livro de Todd Parr lançado no Brasil em 2002. O sucesso foi imediato. Aos 56 anos, ele já tem na bagagem mais de 40 livros infantis e milhões de cópias vendidas. Dezenove deles foram publicados no Brasil nos últimos dezoito anos, todos pela editora Panda Books.

O californiano Todd Parr começou a pintar em 1994, aos 32 anos, mas seu talento para as artes já transparecia muito antes disso. Aos 7, venceu um concurso da seção de quadrinhos de um jornal local. Conseguiu seu primeiro emprego aos 11, ganhando 1 dólar por hora como garçom na lanchonete Taco Time. Depois de trabalhar em uma loja de discos, Todd Parr decidiu inovar e se candidatou a uma vaga para comissário de voo na United Airlines. Foi contratado e lá ficou durante 15 anos. Em seu tempo livre, desenhava e pintava. O que era um hobby virou um trabalho paralelo — Todd Parr começou a vender roupas com suas estampas para seus colegas de trabalho. Quando se deu conta, estava criando coleções especiais para lojas como Macy’s e expondo quadros em restaurantes de capitais gastronômicas como São Francisco. Foi depois do lançamento de uma série de produtos para crianças que um editor em Nova York procurou Todd Parr para sugerir aquilo que consagraria a carreira do artista: “Você já pensou em escrever livros para crianças?”.

Todd Parr vive com seus pit bulls adotados.

As obras de Todd Parr são conhecidas pela concisão. Mas a principal marca registrada de Todd Parr são suas ilustrações. Os desenhos, que parecem ser feitos à mão, são criados com o uso de um tablet gráfico conectado a um computador. Influenciado pelo artista Keith Haring, Todd Parr abusa de cores vivas, bom humor e linhas em preto para compor suas ilustrações. A constante presença da figura de uma criança com uma cueca na cabeça é um recurso que contribui para deixar as complexas tramas mais leves.

Em todos os livros, o autor trata de temas universais do cotidiano das crianças, com o diferencial de conseguir quebrar tabus, ao abordá-los de forma simples, divertida e colorida. Em O Livro da Família, promove a inclusão de casais homossexuais (“Algumas famílias têm duas mães ou dois pais”) ao elencar uma série de características próprias das famílias. Nas obras mais recentes, Todd Parr trata de gratidão, medo, adoção, e ajuda crianças a lidar com a morte e a perda de pessoas próximas. O segredo para tocar em assuntos tão delicados está implícito na forma como o autor se despede de seus pequenos leitores em todos os seus livros: “Com amor, Todd”.

10 ideias para aulas online nota 10

A epidemia do novo coronavírus impactou o ensino de crianças e adolescentes ao redor do mundo. Em pouco tempo, professores tiveram que deixar as salas de aula e se adaptar a tecnologias que possibilitam o ensino à distância. Muitas escolas têm adotado plataformas para facilitar a interação de professores e alunos, como o Microsoft Teams e o Google Meetings. Existem outros serviços que podem ser utilizados – Skype e Zoom. WhatsApp, Facebook e Instagram também oferecem possibilidades para o envio de arquivos e a realização de videoconferências.

Confira as dicas de Josca Ailine Baroukh, educadora, psicóloga e autora da Panda Books, sobre os melhores caminhos para o ensino nesse momento.

1 – Mantenha a relação das crianças com a escola, principalmente na educação infantil
Os efeitos do distanciamento são diferentes em cada fase da infância e os alunos mais novos podem sofrer impactos maiores. É fundamental manter o vínculo deles com a escola. Foque mais nas relações humanas do que em conteúdo, deixando as crianças sempre em contato com professores e colegas.

2 – Envie materiais estimulantes para os alunos
Procure mandar materiais como músicas, vídeos, filmes e recados amorosos às crianças da educação infantil. Dessa forma, elas conseguirão aprender coisas novas e manter a relação com a escola.

3 – Use a criatividade
Não é possível transpor o conteúdo presencial para o Ensino à Distância (EAD). Os professores do ensino fundamental precisam pensar em maneiras de flexibilizar as matérias e não se prenderem a aulas expositivas e lições. Busque soluções criativas para continuar o trabalho que acontecia na escola.

4 – Não exponha as crianças a telas por longos períodos
De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças de 2 a 4 anos não devem ficar mais de uma hora por dia olhando para telas; a partir dos 5 anos, esse tempo pode se estender ao máximo de duas horas. O contato com as imagens eletrônicas interfere no desenvolvimento psíquico durante os primeiros anos de vida. As crianças precisam de contato físico, pessoal, olho no olho, conversa, toque. Para elas, não há muita diferença entre o faz de conta e o real.

5 – Peça um retorno aos pais e alunos
É importante manter contato com os alunos para saber se os conteúdos e os formatos escolhidos são proveitosos. No ensino médio, converse diretamente com os estudantes. Na educação infantil, porém, os pais são importantes, participando com conversas e gravando as reações dos filhos para os professores.

6 – Cuidado com o tempo das aulas gravadas
Deve haver um equilíbrio entre gravar explicações e ensinar ao vivo em videoconferências. Uma aula gravada deve ter no máximo 30 minutos. Depois disso, o professor pode abrir o chat para conversar sobre o conteúdo com os alunos.

7 – Aulas ao vivo também precisam de cuidados
Nos contatos simultâneos, fique atento a possíveis problemas de conexão dos alunos. Tome cuidado para não se alongar na explicação. Essa preocupação com o tempo deve ocorrer, pois os estudantes se dispersam mais rápido nas atividades online.

8 – Mais possibilidades de conteúdos para os maiores
Uma boa opção para o ensino fundamental é dividir a aula com diferentes atividades. Um exemplo: o professor pode explicar a matéria, passar um texto, sugerir algum estudo e finalizar em um encontro online com toda a turma.

9 – Mantenha os turnos da escola
A duração das aulas online pode ser diferente das presenciais, mas respeite o turno em que as crianças estudam. Se vão para a escola de manhã, os alunos devem interagir com a plataforma nesse período.

10 – Cuide da segurança
Os educadores devem cuidar da própria segurança em chamadas por vídeo. Não se sabe quando pode surgir a suspeita de conduta imprópria por parte dos professores. Para evitar isso, realize conferências com todos os alunos juntos, jamais com uma criança apenas.

Clique aqui para conhecer todos os livros de Josca Ailine Baroukh lançados pela Panda Books.

Boa noite com ioga: como a prática milenar ajuda crianças a dormir melhor

Colocar uma criança para dormir costuma ser tarefa difícil. Não para a professora Gabriela Amalfi, mãe de duas crianças, um menino de três anos e uma menina de seis meses. Ela ensina ioga, e conta que fez seus filhos se envolverem pela prática desde a gravidez. “Eles são muito tranquilos, nunca me deram trabalho na hora de ir para a cama”, afirma. A história de Gabriela tem tudo a ver com o mais recente lançamento da Panda Books: Boa noite com ioga.

Escrito pela americana Lorena Pajalunga, o novo livro conta a aventura de um casal de irmãos que decide passar a noite em claro, brincando. Os dois são interrompidos pelos bichinhos de pelúcia, que se juntam para ensinar posturas de hata-ioga, exercícios físicos tradicionais dessa prática oriental. O leão vai apresentar a postura da Montanha, a girafa mostrará a posição do Tridente, e o panda fará a meia postura do Sábio Matsyendra. Cada brinquedo revela o passo a passo bem detalhado de posições que deixam o corpo e a mente relaxados para dormir.

Além das conhecidas posturas, a ioga envolve técnicas de respiração (pranayamas) e o ensinamento de valores éticos. Gabriela explica que fazer os exercícios antes de dormir pode ser bom tanto para crianças quanto para adultos: “Praticar no fim do dia é benéfico para acalmar o corpo e a mente, garantindo boa noite de sono”.

Gabriela também usa histórias sobre bichos para ensinar ioga às crianças.

Para ensinar crianças, a professora também relaciona bichos com as posturas realizadas nos exercícios físicos. Ela conta que há registros de ioga anteriores a Cristo, e, desde os primórdios, as atividades foram inspiradas por movimentos da natureza. “Acredita-se que os primeiros praticantes viam como os animais se mexiam e tentavam movimentar o próprio corpo de uma forma semelhante”, explica.

Há três anos, Gabriela atuou na ONG Gaia +, idealizada pelos irmãos João Paulo e Eduardo dos Santos Pacifico. Lá, fez um trabalho voluntário para crianças que vivem em vulnerabilidade social. Tanto a professora quanto Eduardo afirmam que a ioga foi um sucesso entre os alunos. Quando engravidou, Gabriela saiu para se dedicar ao filho. Ela trabalhava com crianças de 6 a 10 anos, e desde então pôde ver como elas se ligam facilmente à atividade. “Os adultos perdem a natureza pura, espontânea, e a ioga ajuda a resgatar isso”, diz. “Na infância, ajuda a criança manter essa característica”.

Eduardo, que além de fundador da Gaia +, é educador, conta que praticou ioga entre a adolescência e o início da fase adulta. Segundo ele, ensinar para as crianças que atenderia no projeto foi um desejo natural. Elas logo se identificaram com a prática e puderam desfrutar dos mesmos benefícios que o executivo teve quando mais novo. “Por ser uma atividade física e mental ao mesmo tempo, a ioga traz o autoconhecimento, e a consciência de que é importante se cuidar”.