De uma visita guiada no Cemitério da Consolação a um suspense juvenil sobre um fantasma milionário

Em “O fantasma milionário”, novo livro de Marcelo Duarte, uma visita ao Cemitério da Consolação, em São Paulo, deu origem a um suspense juvenil, que mistura investigação, elementos sobrenaturais e questões sociais.

Na história, Thaíde, guia de visitas do cemitério, conhece Cid e Zen, duas crianças que acreditam na existência de um fantasma milionário. Intrigado pelo mistério, ele decide investigar o caso e acaba descobrindo que o cemitério guarda muito mais histórias do que imaginava.

A visita que inspirou o livro também ajudou a criar personagens. Thiago de Souza, guia que acompanhou Marcelo Duarte durante o passeio pelo Cemitério da Consolação, serviu de inspiração para Thaíde. O próprio espaço também ganhou papel importante na narrativa: locais que existem de verdade aparecem na história, como o jazigo de Tarsila do Amaral e o monumental túmulo da família Matarazzo, aproximando ficção e realidade.

Além do mistério, “O fantasma milionário” aborda temas como apostas on-line, trabalho infantil e a importância da permanência das crianças na escola. As questões aparecem integradas à aventura de Cid e Zen, sem deixar de lado o suspense que conduz a narrativa.

Lançamento de “O fantasma milionário”
O lançamento do novo livro de Marcelo Duarte acontece em 29 de agosto de 2026 (sábado), das 11h às 13h, na Livraria da Tarde, Rua Cônego Eugênio Leite, 956, em Pinheiros, São Paulo.

 

Como apresentar a mitologia grega para crianças? Um guia para pais e professores

Dirigido por Christopher Nolan, o filme “A Odisseia” vem despertando o interesse do público. Por isso, nada mais natural que muitas crianças cheguem à escola ou em casa cheias de perguntas: Quem é Odisseu? O Cavalo de Troia existiu? Quem são os deuses do Olimpo? O livro “Mitologia Grega: uma introdução para crianças”, de Heather Alexander, publicado no Brasil pela Editora Panda Books, apresenta, de forma acessível e bem ilustrada, os principais deuses, heróis, monstros e mitos da Grécia Antiga, incluindo personagens e episódios como Odisseu, o Cavalo de Troia e o ciclope Polifemo. Além das histórias, o livro oferece informações que ajudam pais e professores a contextualizar esse universo, tornando a leitura mais significativa para crianças que estão tendo o primeiro contato com a mitologia.

Embora “A Odisseia”, atribuída ao poeta Homero, seja um dos textos mais importantes da literatura mundial, ela está longe de ser uma leitura simples. O poema foi escrito há quase três mil anos e apresenta uma linguagem, uma estrutura narrativa e referências históricas que podem ser desafiadoras até mesmo para muitos adultos. Com o acesso facilitado a esse conhecimento, as crianças ampliam seu repertório cultural; entendem referências presentes em livros, filmes, séries e jogos; desenvolvem o interesse por História e por Literatura; exercitam a imaginação e a interpretação de narrativas; e refletem sobre temas universais, como coragem, amizade, escolhas, orgulho e superação.

Grandes clássicos nem sempre precisam ser o primeiro passo na formação de um leitor. Muitas vezes, eles representam o destino de uma jornada construída aos poucos. Quando a criança conhece os personagens, os deuses e os mitos em uma linguagem adequada à sua idade, ela cria familiaridade com esse universo. No futuro, estará mais preparada para explorar obras como “A Odisseia” e compreender por que essas histórias continuam inspirando escritores, artistas e cineastas em todo o mundo.

Adquira o livro clicando nesse link: https://www.pandabooks.com.br/infantil/cultura-popular/mitologia-grega

Panda Books lança “A Central de Más Notícias”, livro de Daniel Martins de Barros sobre a importância das emoções consideradas “ruins”.

Como lidar com emoções que costumam ser vistas apenas pelo lado negativo? Essa é a reflexão que conduz A Central de Más Notícias, novo lançamento da Panda Books escrito por Daniel Martins de Barros.

Na história, acontecimentos difíceis, como frustrações, perdas e desilusões, não surgem por acaso: eles são entregues por mensageiros de uma misteriosa Central de Más Notícias, responsável por despertar sentimentos considerados desagradáveis. Entre esses mensageiros está Chateação que, ao ser promovida a Tristeza, passa a questionar o sentido de sua função quando percebe o impacto que suas mensagens causam nas pessoas. A partir desse conflito, o livro convida leitores de todas as idades a refletir sobre o papel das emoções em nossas vidas e sobre a importância de acolher sentimentos muitas vezes evitados.

O autor, Daniel Martins de Barros, é psiquiatra do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da FMUSP e professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, conhecido por abordar temas ligados ao comportamento humano e à saúde mental de forma acessível. Em A Central de Más Notícias, ele utiliza a ficção para explorar questões emocionais profundas, transformando conceitos complexos em uma narrativa sensível e envolvente.

Com lançamento marcado para o dia 27 de junho, das 11h às 14h, na Livraria da Vila (Av. Paulista), o livro chega ao catálogo da Panda Books como uma obra que une imaginação e reflexão, propondo uma nova maneira de enxergar emoções frequentemente associadas apenas ao sofrimento.

 

Leituras para entrar no clima da Copa do Mundo

As ruas já começaram a ganhar cores, as figurinhas voltaram a circular entre colecionadores, e a expectativa pelos jogos da Seleção Brasileira cresce a cada dia. Afinal, a Copa do Mundo mobiliza torcedores dentro e fora dos estádios e transforma o futebol em um verdadeiro fenômeno cultural.

Pensando nisso, reunimos algumas leituras ideais para quem deseja ampliar seus conhecimentos sobre o universo do futebol, das Copas e das tradições que cercam o torneio.

Não poderíamos iniciar esta seleção sem mencionar as bandeiras, símbolos que representam as nações participantes da competição. Em Bandeiras de Todos os Países, de Tiago José Berg, o leitor encontra curiosidades sobre os símbolos nacionais de mais de 1.300 países e aprende mais sobre a história e os significados por trás de cada bandeira. Uma ótima leitura para quem não quer confundir bandeiras semelhantes ou colar suas figurinhas nas páginas erradas.

E, por falar em figurinhas, O Álbum dos Álbuns de Figurinhas, de Marcelo Duarte, apresenta histórias e curiosidades sobre os colecionáveis que atravessam gerações e fazem parte da memória afetiva de milhões de torcedores. O livro resgata a trajetória das coleções lançadas no Brasil desde 1934, quando surgiram discretamente em embalagens de bala e carteiras de cigarro.

Outra sugestão indispensável para os apaixonados pelo esporte é O Guia dos Curiosos – Copas, também de Marcelo Duarte. Nesta edição da série, o autor reúne fatos inusitados, recordes e episódios marcantes dos Mundiais, oferecendo uma leitura rica em informações e curiosidades históricas sobre o torneio.

Para aqueles que desejam compreender os bastidores do futebol internacional, a duologia Jogo Sujo: O Mundo Secreto da FIFA, do jornalista investigativo Andrew Jennings, revela interesses, decisões e acontecimentos que influenciam diretamente o esporte mais assistido do planeta. A Fifa tentou proibir a publicação dos livros de Andrew Jennings, que foram o estopim para a grande ação policial para a prisão de dirigentes corruptos.

A Copa do Mundo também é marcada por tradições e cerimônias que emocionam torcedores ao redor do mundo. Nesse contexto, O Livro dos Hinos dos Países, de Tiago José Berg, é uma excelente oportunidade para conhecer melhor os hinos nacionais que acompanham as seleções durante as competições internacionais. O livro é composto pela letra original do hino, sua tradução e um CD para acompanhar as canções.

Encerrando a seleção, O Mistério da Figurinha Dourada, ficção escrita por Marcelo Duarte, traz uma narrativa envolvente inspirada no universo das figurinhas e do colecionismo, elementos que fazem parte da experiência de cada edição da Copa.

Para quem deseja entrar no clima do torneio antes do apito inicial, essas leituras representam uma excelente forma de explorar o futebol para além das quatro linhas, por meio de histórias, memórias e curiosidades que ajudam a tornar cada Copa do Mundo inesquecível. Todos os livros estão disponíveis no site da editora Panda Books e nas principais livrarias do país.

Quando você acha a pedra certa

É nesse território metafórico que se inscreve Quando você acha a pedra certa, da norte-americana Mary Lyn Ray. Além de seu jogo entre imagem e texto, o livro é atravessado por reflexões profundamente humanas que tratam as pedras como reflexos das experiências, dos desafios e dos afetos que nos constituem, tornando-se uma leitura sensível e acessível para todos os leitores.

Entre pedras, rochas e minerais, a obra convida o leitor a um percurso sensível pela matéria mais antiga do mundo, aquela que sustenta montanhas e, ao mesmo tempo, habita o bolso de uma criança. Com delicadeza poética, a obra transforma as pedras em metáforas da experiência humana: ora preciosas e luminosas, como gemas que guardam afetos, ora pesadas e imensas, como obstáculos que parecem intransponíveis. Assim, Quando você acha a pedra certa propõe uma reflexão profunda sobre permanência, resistência, beleza e transformação, revelando que, assim como as pedras, nós também carregamos histórias, marcas do tempo e possibilidades de lapidação.

Celebrado como uma obra de rara sensibilidade, o livro de Mary Lyn Ray, tem um texto lírico e contemplativo, que se afasta de abordagens científicas para explorar o valor emocional e simbólico das pedras, reconhecendo nelas fontes de conforto, identidade e pertencimento. Além disso, as ilustrações de Felicita Sala ampliam o sentido do texto ao apresentar uma diversidade de formas, cores e escalas, reforçando a ideia de que não existe uma “pedra certa” para todos – mas aquela que, em determinado momento, se torna essencial para cada um de nós.

O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas

Livro conta a história de todas as figurinhas de Copas lançadas no Brasil desde 1934

Antes mesmo de a bola rolar em uma Copa do Mundo, existe um ritual que mobiliza milhões de adultos e crianças: o álbum da Copa. Abrir os envelopes, torcer para sair a figurinha que falta, trocar as repetidas e completar o álbum é um ritual que se repete a cada quatro anos. Lançamento da Panda Books, O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas, do jornalista Marcelo Duarte, conta a história de todas as coleções já lançadas no Brasil desde 1934. A ideia de contar a história das Copas por meio das figurinhas publicadas no país é inédita no mundo.

No nosso caso, o hábito de colecionar figurinhas vem do comecinho do século passado. O primeiro álbum de figurinhas do Brasil começou a circular no início dos anos 1900. Era uma publicação da tabacaria Estrela de Nazareth – e cada uma das sessenta figurinhas correspondia a uma bandeira de um país. As primeiras figurinhas de futebol apareceram timidamente em 1919. O primeiro álbum de Copa do Mundo foi lançado no Uruguai, pelas Balas Glorieta, em 1932. O álbum El Deportista, de quarenta páginas, trazia figurinhas de dez times uruguaios, além dos jogadores celestes que conquistaram a medalha de ouro no futebol das Olimpíadas de 1924 e 1928, e também os finalistas da Copa do Mundo de 1930 (Uruguai e Argentina). No final, havia ainda uma página com a Taça Jules Rimet.

As Copas de 1934 e 1938 só tiveram figurinhas avulsas por aqui. Os álbuns de Copas do Mundo começaram a ser publicados no Brasil em 1950 – e o mais especial de todos foi justamente o das famosas Balas Futebol. Vendeu milhares de exemplares, mesmo tendo sido lançado depois da perda do mundial em casa. Dizem que as balas eram horríveis, extremamente açucaradas. Muita gente jogava as balas fora e ficava só com as figurinhas.

Os títulos da Seleção Brasileira de 1958 e 1962 foram decisivos para dar um impulso à produção dos álbuns. Os álbuns com prêmios viraram uma febre. Completar uma página teoricamente dava direito a um prêmio. Não é à toa que esses álbuns quase nunca se completavam. Foi assim que nasceu a expressão “figurinha difícil”, aquela (ou aquelas) que sempre faltava para completar uma página. O livro apresenta álbuns promocionais, álbuns que exaltavam a ditadura militar e até álbuns apócrifos.

Ao longo das 152 páginas de O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas, Marcelo apresenta álbuns icônicos, como os da editora Vecchi, o do chiclete Ping Pong e todos da Panini. A editora italiana começou a produzir seus álbuns de Copas em 1970, mas só chegou ao Brasil vinte anos depois, numa parceria com a editora Abril. A partir de 1998, a Panini ficou sozinha e globalizou a publicação, tornando-a uma febre mundial e um negócio bilionário.

Importante: Este livro é uma celebração dos álbuns de figurinhas das Copas e suas histórias. Não se trata de um álbum colecionável e não acompanha figurinhas.

A arte de ilustrar livros infantis

A escritora e ilustradora Renata Bueno adora coisas antigas, e a casa de uma de suas avós sempre foi lugar de achados especiais. Uma das relíquias encontradas foi um rolo de números que pareciam ter sido datilografados. Ele tinha pertencido ao avô de Renata. Ela ficou encantada e imaginou um livro em que os números fossem o fio condutor. Assim nasceu Quantas gotas tem a chuva?, publicado pela Panda Books. Os números do avô estão na capa, na sobrecapa e em várias das 36 páginas. “Eles constroem linhas, massas sobrepostas, escondem-se por trás do vegetal, revelando transparências, e dialogam com a paleta de cores do livro”, diz a autora.

Em “Quantas gotas tem a chuva?” , Renata Bueno realizou colagens com um rolo de números antigos de seu avô.

O Panda News conversou com três ilustradores, que contaram um pouco do processo de criação e das técnicas que utilizam para transformar ideias em desenhos que são pura emoção.

Camila Sampaio mescla técnicas digitais com desenhos feitos a mão em seus trabalhos.

Do papel ao computador

Camila Sampaio ilustrou cinco livros para a Panda Books: Vamos tomar banho?, Tinha que ser comigo?, Parlendas para brincar, Adivinhas para brincar e Alinhavos. Todos começaram com desenhos em papel – esboços conhecidos como rafe. “Quando recebo o original, tento captar o ritmo da história, e, às vezes, a estrutura do texto dá uma ideia do que ilustrar”, conta Camila. Os rafes são escaneados e enviados à editora para aprovação.

Depois que os rafes são aprovados (e o nervosismo passa), Camila realiza a colorização no computador. Ela trabalha com o estilo vetorial, uma técnica que se baseia em fórmulas matemáticas para criar desenhos a partir de pontos, linhas e curvas.

O livro que fez amigos de Camila esquecerem de suas pizzas.

Depois do lançamento de Adivinhas para brincar, Camila se lembra de uma viagem feita com amigos. Como alguns tinham filhos, a ilustradora levou uma cópia do livro. Um dia, todos saíram para jantar, e os mais novos tiveram uma mesa só para eles com o Adivinhas. Apesar das diferentes idades, as crianças se uniram em um só grupo. Curiosos, os adultos foram ver o que estava acontecendo. “Lembro de olhar para o lado, e todo mundo estava em torno da mesa tentando matar as charadas. A comida ali esfriando, e o pessoal se divertindo com as adivinhas”, conta a ilustradora.

Leandro Oliveira, o LeBlu, explora recursos digitais para fazer ilustrações.

Sempre digital

Leandro Oliveira, o LeBlu, ilustrou na Panda Books Jogo sujo, Centauro guardião e O segredo do disco perdido. Seus desenhos são totalmente digitais e as influências passam por ilustrações do mundo eletrônico, como os games. “Aos sete anos, eu tive um tio que morava no Japão. Sempre que ele vinha ao Brasil, me trazia fitas de videogame com os encartes dos jogos, e eles eram ilustrados”, conta LeBlu. Foi com esse contato que ele começou a entender a função de um profissional dedicado à ilustração.

“Apesar de trabalhar no digital, acho legais os trabalhos manuais”, afirma. “Gosto de textura, de erro, de ranhuras e defeitos.” O ilustrador busca características de desenhos manuais em seus trabalhos, mas, graças ao digital, ele tem um controle melhor do resultado.

“O segredo do disco perdido” é uma aventura que também foi ilustrada ao som do Clube da Esquina.

O ilustrador conta como foi emocionante o primeiro trabalho feito para a Panda Books: O segredo do disco perdido, livro que fala bastante sobre o grupo musical mineiro Clube da Esquina. LeBlu, um apaixonado por MPB, estava trocando de emprego e seu filho era bem pequeno. Além disso, ele revela ter feito um grande amigo – o autor Caio Tozzi. “Ilustrei o livro ouvindo os dois álbuns do Clube da Esquina sem parar”, diverte-se. “Pude fazer isso porque fiquei um mês em casa antes de começar no emprego novo.”

Renata Bueno não tem uma técnica preferida e transita por diferentes formas de ilustração.

Desenhos por todos os lugares

Autora e ilustradora de Quantas gotas tem a chuva?, Renata Bueno diz que não tem preferência na hora de fazer seus trabalhos. “Desenho muito no papel, mas também no computador, no chão, nas paredes…”. Ela explica que gosta de experimentar materiais e adora colagens, usando bastante a técnica em suas ilustrações.

Um exemplo de sua técnica preferida é o livro Quantas gostas tem a chuva?, feito com os números datilografados do avô. Renata criou a primeira ilustração no Brasil. Depois, ela se mudou para a Holanda, onde terminou os desenhos e criou o texto. “Fiz alguns esboços a lápis, em tamanho menor. Mas, na maioria das vezes, as imagens surgiram sem seguir um traço”, conta.

A ilustradora explica que cada livro tem suas particularidades, o que interfere na técnica escolhida. “Há livros onde sou a autora do texto e convido outro ilustrador para fazer parceria. Em outros, faço primeiro os desenhos e depois crio os textos. E tem aqueles em que parto do texto de um autor para criar as imagens”, finaliza.

A vovó e o vovô precisam de carinho

A autora Carmem Lucia Campos foi convidada para um chá da tarde numa escola e, para sua surpresa, se viu cercada de bisavós, avós e crianças. O centro das atenções era o livro A bisa fala cada coisa, que trata da importância dessa relação, lançado pela Panda Books. “Foi emocionante: os pequenos se orgulhavam em exibir as avós e as bisavós e demonstrar o carinho que tinham por elas”, conta Carmem, que tem outras quatro obras pela editora.

“A bisa fala cada coisa!” conta uma divertida história de aprendizado entre uma garota e sua bisavó.

Manuel Filho, autor de Vovô não gosta de gelatina, já teve experiências parecidas. Escolas que adotaram o livro promovem o encontro entre avós e netos quando recebem a visita do autor. “Os encontros são muito bonitos”, comemora. “Gosto quando as crianças precisam fazer a árvore genealógica da família e percebem os mais velhos são um ponto de sabedoria”. Em comemoração ao Dia dos Avós, 26 de julho, data de Santa Ana e São Joaquim, mãe e pai de Maria e avós de Jesus, o Panda News promoveu uma conversa entre Carmem e Manuel sobre como fortalecer a relação de avós e netos. Todos só têm a ganhar!

Em “Vovô não gosta de gelatina”, Paulinho vive aventuras em diferentes fases da vida do avô.

Panda News: As crianças já não têm uma ligação bastante forte com seus avós? Por que tratar disso nos livros?

Carmem Lucia: Nem todas as crianças têm um contato cotidiano com os avós e, outras, mesmo tendo esse convívio próximo, não se dão conta da importância deles. Ou tendem a valorizar os avós apenas pela permissividade que dão em relação às suas traquinagens, pela prontidão com que realizam vontades dos pequenos ou por causa de bens materiais, como brinquedos e mesadas. Ao escrever A bisa fala cada coisa, minha intenção foi resgatar a relação de afeto que une as crianças e os mais velhos da família.

Manuel Filho: É, precisamos considerar muitas coisas ao escrevermos um livro infantil. Temos que pensar nas diferentes realidades que vamos encontrar. Por exemplo, há crianças que são criadas pela avó e pelo avô, enquanto outras têm o pai, a mãe e os quatro avós. O Vovô não gosta de gelatina foi lançado há 6 anos e, desde então, acabou adotado em escolas de diversos lugares. Já recebi e-mails de escolas rurais e de ocupação que adotaram livros meus.

Quais são as maiores carências que os idosos têm e como as crianças poderiam ajudá-los a resolver?

CL: Acho que algumas carências dos idosos são as mesmas das crianças: respeito, atenção, cuidado e, principalmente, serem ouvidos e vistos de fato. A troca entre avós e netos pode ser muito estimulante para ambas as partes, criando até uma espécie de cumplicidade.

O pouco conhecimento do uso de tecnologia das pessoas mais velhas deixou essas gerações mais afastadas?

MF: Nós estamos em um momento único e a tecnologia está aproximando os jovens de seus avós. Talvez, as pessoas com mais de 80 anos é que tenham dificuldades para lidar com esse tipo de tecnologia.

CL: Além disso, a chamada “terceira idade” está cada vez mais ativa e conectada. Não faltam blogueiros e youtubers mais experientes, que assumiram os cabelos brancos ou preferiram adotar um visual moderno e linguagem atual.

MF: A minha mãe tem 74 anos e está no Instagram! É só ensinar. Os idosos criam redes entre eles para trocar coisas, como fotos e receitas. Isso também é importante.

CL: Concordo, Manuel. Acredito que a dificuldade dos mais velhos com a tecnologia pode ser uma ponte para aproximar idosos e crianças. Essa troca vale para outros saberes, como netos que ensinam avós a ler e avós que ensinam os pequenos a fazer brinquedos antigos, típicos de sua infância. Trata-se de um aprendizado que estreita os laços de afeto.

As doenças relacionadas à idade ainda são um tabu a ser enfrentado? Como a escola pode ajudar nisso?

CL: Mais do que as doenças, a própria velhice e a morte são tabus.

MF: Sim, parece que envelhecer no Brasil é um pecado!

CL: A escola pode ter um papel relevante na discussão desses temas com as crianças. Há inúmeros livros infantis que abordam doenças comuns na velhice, como Alzheimer e Parkinson. A partir dos livros, é possível promover atividades que aproximem avós e netos, como entrevistas, troca de experiências e eventos na escola. É um bom caminho para estreitar laços entre gerações que têm muito a aprender e a ensinar uma à outra.

MF: Também gosto quando as escolas promovem datas para colocar as gerações em contato, como o Dia dos Avós.

O que fazer com as máscaras depois que isso tudo passar?

Baratas, fáceis de fazer e acessíveis, as máscaras são nossas grandes aliadas no combate à pandemia do coronavírus. Só na cidade de São Paulo, entre abril e maio, foram produzidos dois milhões de máscaras de tecido em Escolas Técnicas Estaduais (ETCs) para distribuir à população carente. Sem contar as milhares de máscaras confeccionadas diariamente por artesãos, costureiros e os adeptos do “faça você mesmo”.

Para muitos, o acessório virou um item fashion, e já é comum uma pessoa ter várias máscaras em casa, de estampas e tecidos diferentes, para combinar com os figurinos. Imaginando que cada habitante de São Paulo tenha 5 máscaras diferentes, podemos considerar que, só na cidade, já foram gastos 439.698 metros quadrados de tecido. Com toda essa malha, daria para forrar o gramado de 68 campos de futebol!

Esse número assustador só tende a crescer. A produção de máscaras de tecido deve seguir em ritmo acelerado enquanto durar a pandemia, por um motivo muito simples: elas têm vida útil curta. As máscaras devem ser descartadas depois de 30 usos, ou sempre que o tecido apresentar furo ou desgaste. O que fazer com essa montanha de tecido depois que isso tudo passar?

“Nós, enquanto consumidores de máscaras, poderíamos cobrar das confecções que as produzem que as recebessem de volta para que sejam encaminhadas a indústrias de reciclagem”, sugere Alessandra Ponce Rocha, autora de Alinhavos, primeiro livro no Brasil sobre moda sustentável para crianças, publicado pela editora Panda Books. A Renovar Têxtil, que coleta resíduos têxteis na região do Brás e Bom Retiro, centro de São Paulo, é uma das empresas que recebem doação de tecido para desfibramento, processo que torna a fibra reutilizável para a produção de novos tecidos. Eles não exigem quantidade mínima para doação, mas precisam ter certeza de que os materiais são passíveis de reciclagem.

Alessandra Ponce Rocha e seu livro “Alinhavos”.

Tecidos como algodão, poliéster e malha costumam ser compatíveis com o processo, mas Alessandra lembra um detalhe importante: “As máscaras já utilizadas devem ser devidamente higienizadas, com o laudo da lavanderia, para que haja a garantia de que não contaminarão os demais materiais”. O laudo é emitido por lavanderias industriais e, por isso, esse exemplo de doação se aplica a ações promovidas pelas confecções que já se utilizam desses processos. “Outro ponto importante é que as máscaras sejam doadas apenas com a parte têxtil”, aponta Alessandra. “A costura e materiais extras como elásticos precisam ser retirados”.

Uma ideia mais caseira é utilizar os tecidos das máscaras descartadas para a confecção de artesanatos como fuxicos e colchas de retalhos. “São atividades que podem ser prazerosas, não demandam grandes quantidades de tecidos, e promovem a conexão entre os membros da família”, indica a estilista. “Como a recomendação é que fiquemos em casa até que tenhamos a epidemia controlada, é mais um ótimo passatempo!”. Para ambas as atividades, é imprescindível que as máscaras estejam higienizadas, seguindo as mesmas recomendações de limpeza já praticadas no dia a dia de quem as usa como forma de proteção: deixar a máscara imersa numa solução com um litro de água e 10 mililitros de água sanitária durante 40 minutos.

Por que crianças gostam tanto de livros de terror?

“Viu o demônio outras vezes, sempre à noite, entregando o pacote às pessoas adormecidas ou em transe. Ele trazia uma mensagem de morte, essa era sua única certeza. Mas para quê? Ela até conseguia ler as palavras, mas não as entendia, pois não associava aquilo a nada. De qualquer maneira, vivia aflita, pois achava que só podia ser coisa ruim”.

Regina Drummond sempre foi uma apaixonada por histórias de terror. Foto: divulgação.

Durante a leitura de um trecho do conto O mensageiro da morte, numa visita a uma escola, a autora Regina Drummond percebeu que três alunas se abraçaram, tremendo de medo.

– Querem que eu pare? – perguntou Regina.

Uma delas respondeu:

– Não, não. Continue! Estamos com medo, mas gostando muito!

Ivan Jaf escreve histórias de terror há mais de trinta anos. Foto: divulgação.

“O medo é uma emoção deliciosa”, diz Regina Drummond, uma das oito escritoras convidadas pela Panda Books para fazer parte da coleção Hora do medo, que tem quatro livros. O conto O mensageiro da morte está no livro “Lobisomem e outros seres da escuridão”.  Os outros são: Conde Drácula e outros vampiros, O ladrão de órgãos e outras lendas urbanas e Frankenstein e os outros mortos-vivos.

Rosana Rios é uma das oito autoras da coleção “Hora do medo”. Foto: divulgação.

Ivan Jaf, autor de quatro contos em Hora do medo, escreve histórias de terror para crianças desde 1987. Ele relaciona a sensação causada por essas narrativas à que sentimos em brinquedos como as montanhas-russas e lembra que, nessas ocasiões, os pequenos até competem para saber quem suporta mais medo. “Esse sentimento é controlável pelas crianças, por isso pode ser bom, diferente de um medo real”, afirma Regina. “O medo na literatura é um instrumento de autoconhecimento”, completa Rosana Rios, também autora da coleção de terror.

O psicólogo e psicanalista Diego Penha faz doutorado em horror e psicanálise.

A leitura de obras assustadoras, portanto, ajuda crianças a lidarem com seus medos. Histórias com séculos de tradição, como “Chapeuzinho Vermelho” ou “João e Maria” em suas versões originais, já traziam tramas muito sombrias. Em 2008, a Panda Books lançou O livro horripilante de Zé do Caixão, com histórias contadas pelo ator e cineasta José Mojica Marins, criador do famoso ícone do cinema de terror brasileiro. Segundo o psicólogo e psicanalista Diego Penha, o medo acumula tensões no corpo e gera uma sensação de forte desprazer. “Mas, quando conseguimos descarregar essa tensão, ao ficarmos arrepiados por exemplo, a sensação é prazerosa”, explica ele. “É uma maneira que o sofrimento encontra para aparecer e ser tratado”.

Em seus contos de terror, Shirley Souza busca levar o leitor a ter medo de seus próprios medos.

Rosana Rios vê o medo como parte do nosso extinto de sobrevivência, um recurso importante para enfrentar os perigos. “Os medos sempre vão existir”, diz Shirley Souza, que escreveu um total de 16 histórias que dão medo para a coleção. “Afinal, nós não somos onipotentes, fortes e poderosos”. Ficou ou não ficou com medo?