O tão aguardado encontro entre editoras, autores e leitores será remoto mais uma vez
A pandemia da Covid-19 não interrompeu uma tradição de mais de duas décadas na Universidade de São Paulo: mesmo em 2020, quando a vacinação ainda era apenas uma expectativa, a Edusp, a editora da USP, conseguiu realizar a Festa do Livro de maneira virtual. Um ano depois, os cuidados permanecem: mais da metade da população brasileira já foi imunizada, os números de casos e de mortes decorrentes da covid caíram bastante, mas a pandemia ainda não acabou. Então, a 23ª edição do evento reunirá leitores, autores e editoras de forma remota entre os dias 8 e 15 de novembro.
Desde 1999, anualmente editoras de todo o país reúnem os seus melhores títulos e oferecem descontos especiais para os leitores. O desconto mínimo é de 50% do preço de catálogo. A Panda Books
chegou à festa em 2005: “O que sempre nos motivou foi o contato direto com os leitores e poder ver as reações aos nossos títulos, capas e temas, além de poder abordar as obras com um pouco mais de profundidade. É um encontro com professores, estudantes, fãs e leitores de todas as idades”, comemora Patth Pachas, diretora comercial da Panda.
No formato remoto, as aglomerações em torno das tendas são substituídas por links para as lojas virtuais de cada uma das editoras a partir do portal oficial da Festa. “Já no ano passado foi uma experiência muito diferente. Se por um lado não vemos os leitores, por outro os leitores vieram de regiões mais distantes, como Amazonas, Roraima, Piauí e Santa Catarina”, afirma Patth, que vê neste novo formato a possibilidade de ampliar ainda mais o alcance do evento, que já era anteriormente marcado pela forte presença de visitantes do interior de São Paulo. O que ela espera é que, em 2022, as tendas possam estar novamente abarrotadas, com contato direto entre a editora e os leitores, mas sem abrir mão da possibilidade de alcançar o país inteiro: “Gostaria de ver um formato híbrido”, completa.
Escola Crescimento utiliza desde 2017 o livro publicado pela bióloga Rachel Azzari
“Um mergulho no fundo do mar: como será que vivem os animais da zona abissal?”. Pesquisar sobre a mais profunda camada dos oceanos era o mote de um trabalho literário realizado pela Escola Crescimento, em São Luís. Para chegar à resposta, os alunos do 1º ano do ensino fundamental não precisaram desbravar textos científicos de alta complexidade: além de receberem a visita de um biólogo, eles contaram com o “Almanaque do Fundo do Mar”, lançado em 2013 pela Panda Books. “Pesquisamos, lemos, fizemos fichas técnicas, construímos legendas, fizemos desenhos de observação e produzimos um documentário para apresentar aos pais. Foi um sucesso!”, comemora Gisele Regina, diretora pedagógica da unidade do bairro do Calhau.
Gisele explica ainda que o livro de Rachel Azzari já está em sintonia com a proposta da instituição há mais tempo: “Em 2017, a Escola Crescimento iniciou um processo de reforma na alfabetização que praticávamos. Construiu-se então um material didático que usamos até hoje. Uma parte desse material é a produção de fichas técnicas sobre animais do mar. O livro é um material adequado para pesquisa e aplicação dos procedimentos de estudos. Incentiva a pesquisa e aguça a curiosidade”, avalia.
A primeira unidade da Escola Crescimento foi aberta em 1984. A metodologia de ensino consiste em, antes de propor atividades, iniciar o assunto que será estudado por meio de vídeos e textos. Para as crianças em fase de alfabetização, o foco é nas leituras coletivas, com estímulo à interpretação dos textos: “Selecionamos atividades que ajudem o aluno a posicionar seu ponto de vista e ampliar seus repertórios por meio de diferentes tipos de textos e dados. Acreditamos em uma aprendizagem significativa por meio de intervenções que garantem engajamento dos alunos e que favoreçam o protagonismo dele”, define a diretora.
“Mensagem”, de Fernando Pessoa, é o oitavo clássico da coleção da Panda Books
A leitura de alguns dos chamados clássicos da literatura é indispensável para quem se prepara para vestibulares em todo o país. Obrigações, em tese, estão na contramão de qualquer atividade prazerosa. Mas essa regra pode ter suas exceções: nesse caso, versões atualizadas, com extenso material de apoio ao longo de todo o livro, ajudam a orientar o leitor e a atrair sua atenção para o que há de mais interessante.
Fernando Pessoa
No caso da série “Clássicos da Língua Portuguesa”, da Panda Books, esta missão é de responsabilidade da escritora Fátima Mesquita. Seu trabalho mais recente foi com “Mensagem”, publicado pelo português Fernando Pessoa em 1934: “É um livro de poesias sobre a história mais ou menos recente de Portugal baseado nos pensamentos de um autor que era muito místico. Então, é uma viagem. Para mim, foi uma descoberta”.
Fátima admite que a leitura não é tão simples, em parte pela estrutura das poesias e em parte pelo próprio misticismo do autor. Mas destaca que, com o apoio das notas auxiliares, o leitor pode entender melhor uma trama que tem tudo a ver com a História do Brasil, mas que não costuma ter grande destaque: “O livro é um voo rasante sobre a História de Portugal. Não estudamos muito sobre ela, mas existem várias ligações com o Brasil. O livro fala muito sobre processos de colonização e descolonização e mostra um povo português já chateado porque o país não tinha mais aquela grandiosidade de comandar várias partes do mundo. É uma história de ascensão e queda. E uma queda muito grande”, resume.
5 dicas para a leitura dos clássicos para os vestibulares
1 – Procure edições atualizadas e esteja atento às notas
Os textos são escritos em um português muito diferente do que se usa atualmente e as histórias se desenvolvem em épocas também muito diferentes. Por isso, versões atualizadas são importantes para explicar o significado de algumas expressões e para oferecer o contexto histórico ao leitor. Estar atento às notas complementares ao longo do livro é fundamental.
2 – Perceba os temas atuais
“Os clássicos são novelas das oito”, compara Fátima Mesquita. Parece loucura, mas faz sentido: “Se você for além da linguagem, verá que é assim. No caso dos clássicos brasileiros, muitos eram publicados como folhetins nos jornais, então trazem os ganchos pro capítulo seguinte, a diversão… Eles são divertidos”, explica. Até por isso, uma leitura atenta vai captar muitos temas que permanecem atuais em algumas dessas obras: violência, política, sexo, desigualdades, economia, moda, costumes, ou, de maneira mais ampla, tudo o que envolve as relações humanas.
3 – Mergulhe no que mais lhe interessa
Como os clássicos apresentam uma perspectiva histórica sobre temas que continuam fazendo parte das nossas vidas, a leitura pode abrir caminho para que se conheça mais sobre uma área específica de interesse. Um estudante que se interesse por moda, por exemplo, pode conhecer mais sobre as roupas do passado. Quem gosta de economia, poderá entender as dinâmicas econômicas de séculos passados, quando já se falava, por exemplo, em inflação. E, no aspecto social, os clássicos ajudam a entender as bases das desigualdades de raça e de gênero no Brasil e no mundo. Parar a leitura e fazer uma pesquisa na internet sobre algo que tenha despertado interesse pode ajudar a mudar a impressão geral sobre um livro.
4 – Tudo é interdisciplinar
Se por um lado é verdade que a leitura dos clássicos pode ajudar a entender conteúdos de outras matérias – especialmente a história –, por outro também é verdade que, entendendo melhor as outras matérias, a leitura ficará mais simples. Ter uma boa bagagem sobre assuntos das mais diferentes áreas vai encurtar os caminhos para facilitar o entendimento.
5 – Faça um planejamento
Não tente ler o livro inteiro de uma vez. Estude o tamanho do livro, encontre uma métrica que seja compatível com os seus hábitos (por exemplo, um capítulo por dia) e se organize para que a leitura não fique pesada. Naturalmente, imprevistos podem acontecer e atrasos podem ser compensados. Ou, se o momento estiver especialmente empolgante, o leitor pode se antecipar e depois tirar um dia de folga. O importante é manter a concentração e absorver a leitura.
Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação de cada país.
No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos.
Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos.
Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais.
Como consequência, a violação expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.
Quer saber mais sobre o trabalho infantil?
No livro Meninos Malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil, de Bruna Ribeiro e Thiago Queiroz Luciano, você encontrará relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, no cemitério, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome.
Nas últimas páginas, você encontrará números, dados e contextualizações que podem contribuir para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.
Um convite para adentrar na obra de artistas contemporâneos e explorar novas possibilidades de ocupação da casa em que moramos
“Como nascem as casas? Dos sonhos, do desejo e da necessidade de ter um lugar para morar, das mãos dos trabalhadores, dos traços dos arquitetos, dos mutirões e das ideias dos artistas.”
O que difere a casa em que vivemos das casas criadas pelos artistas? Quantos tipos de casas podem existir? As arte-educadoras Diana Tubenchlak e Renata Sant’Anna apresentam no livro Entre: a arte é sua, da Panda Books, um olhar investigativo e poético para este espaço que passamos a ocupar em tempo integral. Obras de diversos artistas contemporâneos preenchem as páginas do livro, revelando as mais diferentes propostas. Cozinha com banheiro? Uma casa toda vermelha? Sofá na parede?
Nesse passeio pelo livro-casa estão obras de Regina Silveira, Mônica Nador, Romulllo Conceição, German Lorca, Alfredo Volpi, entre outros artistas, que permitem não só mostrar uma nova perspectiva sobre o objeto casa, mas que possibilitaram a transformação dos espaços. Conheça a shabono, casa dos índios yanomami que é incendiada para eliminar insetos, fotografada por Claudia Andujar; a casa-carro dos artistas colombianos Ninibe Forero e Leonardo Ruge que se refugiaram no Rio de Janeiro; e a casa toda vermelha de Cildo Meireles. Ao final do livro, na seção informativa, as autoras apresentam propostas de experiências artísticas para serem vivenciadas pelos pequenos leitores em suas casas, transformando-as em uma casa-ateliê.
O renomado palestrante Marc Prensky propõe uma importante reflexão sobre o futuro da educação
Em seu visionário livro, o educador e futurista de renome internacional Marc Prensky apresenta uma alternativa ao modo como ensinamos e o que ensinamos para as crianças, baseada na aplicação da paixão dos alunos a projetos da vida real. Para Prensky, a educação deve girar em torno de ações que transformem o mundo e façam com que as pessoas melhorem a si mesmas no processo. Ele argumenta que o ensino calcado em uma combinação rotineira de matemática, artes da linguagem, ciências e estudos sociais deixa cada vez mais a maioria de nossos alunos despreparada para o futuro.
O autor elenca uma série de projetos inspiradores que vem sendo realizados em escolas do mundo todo. Como ele afirma, “projetos reais que melhoram o mundo são aqueles que produzem mudanças efetivas e, com sorte, duradouras nas comunidades locais e globais de crianças e jovens – mudanças para as quais eles podem apontar e dizer: “Eu e meu grupo fizemos isso!”. Com base nas tendências mundiais emergentes, Prensky elabora uma visão abrangente para a educação básica, incluindo novas finalidades, novos meios, novo conteúdo curricular, novo tipo de ensino e novo uso da tecnologia. Este é, em última análise, um livro sobre o desenvolvimento da capacidade dos jovens de realizar coisas que tornarão seu mundo um lugar melhor, usando meios nunca antes disponíveis. Ele propõe uma visão inovadora e viável para uma Educação Global Futura que preparará melhor estudantes de todas as origens e classes sociais.
“Se o objetivo da educação é que crianças e jovens se tornem pessoas melhores, mais competentes, capazes de aprimorar o mundo e mais bem-preparadas para o futuro, ‘realizar’ é um meio muito mais eficiente para alcançar esse objetivo do que a ‘aprendizagem’ pela qual quase todas as nossas escolas estão obcecadas. Pouquíssima coisa da grade curricular atual prepara os alunos para realizações no mundo.”
Educação para um mundo melhor foi agraciado com o prêmio Indies Gold Award (2016), na categoria Melhor Livro de Educação.
O AUTOR
MARC PRENSKY é um aclamado palestrante, escritor, consultor e designer de renome internacional no campo da educação. Criador da expressão “nativo digital”, é fundador e diretor-executivo da Global Future Education Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada a uma nova visão da educação para fomentar o empoderamento das crianças. Prensky já ministrou palestras e participou de simpósios, debates, mesas-redondas e conferências em quarenta países. É autor de oito livros, publicou mais de cem ensaios e seus textos foram traduzidos para onze idiomas. Sua formação acadêmica e carreira profissional incluem mestrados em Harvard e Yale, seis anos no Boston Consulting Group, desenvolvimento de jogos de software e ensino em todos os níveis. Os textos e a agenda de palestras de Marc Prensky podem ser encontrados em: http://marcprensky.com.
Para obter outras informações, consulte: http://global-future-education.org/; http://btwdatabase.org/; e http://bettertheirworld.org/.
Livro-reportagem apresenta a história de crianças sob uma nova face do trabalho na infância
Nos faróis, nos cemitérios, nas lanchonetes e nas plantações encontramos crianças e jovens que tentam sobreviver ganhando seu próprio dinheiro, seja para garantir o alimento do dia ou para ajudar a família. Visando humanizar uma das mais graves violações de direitos contra crianças e adolescentes, os jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano (fotos) apresentam em Meninos malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil dez histórias reais que retratam a vida daqueles que não tiveram outra opção além do trabalho na infância.
Conheça a história dos meninos malabares que equilibram cones e tochas de fogo em um desenho nas alturas, dos adolescentes que limpam túmulos nos cemitérios de São Paulo em busca de uns trocados, de um menino de oito anos que trabalha em uma plantação de palmitos, e como uma família de bolivianos conseguiu se libertar da escravidão em uma oficina de costura. As fotos que acompanham cada uma das histórias emocionam e escancaram a situação vivida pelas crianças.
A obra traz relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome. Os autores apresentam também a trajetória de uma família que, com muito esforço, conseguiu romper o ciclo da exploração. Os relatos revelam o trabalho infantil como consequência de um problema estrutural, exigindo políticas públicas intersetoriais que respondam às mazelas de um dos países mais desiguais do mundo. Ao final do livro os autores apresentam números, dados e contextualizações que podem contribuir para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.
O QUE É TRABALHO INFANTIL?
“Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação de cada país. No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos. Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos. Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais. Como consequência, a violação expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.”
OS AUTORES
BRUNA RIBEIRO é graduada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em di-reito internacional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com extensão na Academia de Direito Internacional de Haia, na Holanda, aprofundando seu trabalho como repórter na área de educação e direitos humanos. Em 2015, depois de passar pelas redações do Jornal da Tarde, de O Estado de S. Paulo e da revista Veja São Paulo, lançou um blog sobre direitos de crianças e adolescentes no Estadão, que continua ativo. No ano seguinte, ingressou no projeto Criança Livre de Trabalho Infantil, da Cidade Escola Aprendiz, no qual atua como gestora. Em 2021 recebeu o prêmio Jornalista Amigo da Criança.
TIAGO QUEIROZ LUCIANO é formado em jornalismo pela PUC-SP e trabalha como repórter fotográfico no jornal O Estado de S. Paulo há quase vinte anos, onde desenvolve as mais diversas pautas para as várias editorias do periódico. Tem especial predileção por reportagens de personagens anônimos da cidade. Pautas que, muitas vezes, estão invisíveis nas chamadas dos principais noticiários. Em grandes coberturas, teve a oportunidade de fotografar tais anônimos, como no terremoto que devastou o Haiti, junto com o repórter João Paulo Charleaux, e em uma viagem pela Amazônia, onde refiz o trecho final de uma expedição centenária de Euclides da Cunha pelos limites entre Brasil e Peru, acompanhado pelo saudoso editor Daniel Piza. A viagem resultou no livro Amazônia de Euclides, publicado em 2010. Em 2020, ganhou o 37º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.
O guia dos curiosos, almanaque com informações úteis e inúteis, escrito pelo jornalista Marcelo Duarte, comemorou 25 anos em 2020. O livro, que faz parte da memória afetiva de algumas gerações, virou uma coleção já com nove títulos. Por causa da pandemia, a edição comemorativa teve que esperar um pouco para sair. Agora, aos 26 anos, O guia dos curiosos – Edição Fora de Série acaba de ser lançado pela Panda Books. Por que “Edição Fora de Série”? O próprio Marcelo explica:
“Depois do livro de estreia, a série começou a ganhar volumes temáticos: Esportes, Invenções, Brasil, Língua Portuguesa, Jogos Olímpicos, Sexo, Curiosas e Copas do Mundo. A nova edição volta às origens, com curiosidades de diferentes temas”.
O autor elegeu 18 temas que poderão ganhar, no futuro, guias próprios. Os capítulos são: Cinema; Futebol; Nojeiras e Bizarrices; Dinheiro; Dinossauros; Línguas; Cultura Pop; Heróis; Música; Datas e Festas; Comidas; Religiões; Carros; HQs e Desenhos Animados; Tecnologia; Grandes Guerras; Mundo; e Esportes Americanos.
“Fora de série” também porque, pela primeira vez, O guia dos curiosos sai com uma edição totalmente colorida. A nova logomarca e o projeto gráfico são assinados pelos premiados designers Gustavo Piqueira e Samia Jacintho, da Casa Rex.
Por ser uma edição comemorativa, o autor usou toda a primeira parte de O guia dos curiosos – Edição Fora de Série para fazer um mergulho nas memórias dos bastidores da coleção. Marcelo conta como a ideia surgiu, quais foram os grandes (e os mais engraçados) desafios da pesquisa e como a marca começou a se multiplicar.
“Para vender a ideia do livro para a Companhia das Letras, enviei uma carta (carta mesmo, não havia e-mail e não sonhávamos com o WhatsApp) no começo de 1994 para o editor Luiz Schwarcz, que começava com três perguntas curiosas: ‘Qual é o tamanho do pescoço de uma girafa?’, ‘Quantos degraus tinha a forca de Tiradentes?’ e ‘Qual é a velocidade de um espirro?’. Em seguida, a carta discorria sobre a minha ideia. Duas semanas depois, ele me convidou pelo telefone para uma conversa. A editora ficava na rua Tupi, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Combinamos que eu teria um ano para escrever o livro. E como esse ano passou depressa!”
Uma das melhores histórias veio de O guia dos curiosos – Brasil, lançado em 2000, e mostra a obsessão atrás de uma curiosidade. Uma resposta a uma dúvida que aparece agora na nova edição, 22 anos depois:
“Quando estava escrevendo ‘O guia dos curiosos – Brasil’, descobri que o ator inglês Stan Laurel, o Magro da dupla O Gordo e o Magro, havia lutado com os pracinhas brasileiros em Monte Castello, na Itália, na Segunda Guerra Mundial. Ele era responsável pela ‘fábrica de fumaça’, uma engenhoca que mantinha o local da batalha sempre nublado. Com essa informação em mãos, tive a ideia de colocar o peso dos dois no livro. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e só encontrei o peso do Gordo. Pedi ajuda até para a Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, sem resultado. Anos depois, eis que a informação aparece. No auge da fama, o americano Oliver Hardy, o Gordo, pesava 127 quilos e media 1,85 metro. Stan Laurel tinha 52 quilos e 1,73 metro.”
O guia dos curiosos foi lançado em 10 de maio de 1995, na Livraria da Vila, no bairro de Vila Madalena. Foram vendidos naquela noite 116 exemplares. Nesses 25 anos, os nove títulos da coleção somam uma venda de 700 mil exemplares.
O que não mudou em O guia dos curiosos – Edição Fora de Série são as surpresas e as descobertas que Marcelo vai revelando em cada uma das 288 páginas. São curiosidades que talvez nunca tenham passado por sua cabeça. Ou até que já passaram e você não encontrou ninguém para respondê-las. Curiosidades que irão diverti-lo e informá-lo ao mesmo tempo.
Ah, com O guia dos curiosos, nenhuma pergunta fica sem resposta:
• O pescoço de uma girafa chega a medir 3 metros.
• A forca de Tiradentes tinha 21 degraus.
• Um espirro pode viajar a 160 km/h.
O primeiro contato foi um choque. “Eu me lembro que vi um monte de varais com roupas coloridas por todos os cantos em contraste com aquele chão carcomido, as paredes manchadas e o ambiente cinza”. Quando Flávia Ribeiro de Castro entrou na penitenciária feminina de Santos, havia cerca de 200 presas em um ambiente com capacidade para sessenta. Eram vinte mulheres para seis camas em uma cela. A primeira troca de olhares foi com Adriana Graças Pereira, a Xal. “Entrou alguém na cadeia Xal já ia para perto da grade. Ele era o jornal da cadeia, é um comunicador puro.
No livro “Xal – Órfã, Moradora de Rua, Prostituída, Presidiária e Milagre de Superação”, escrito em parceria com o jornalista Thales Guaracy e lançado pela Panda Books, Adriana diz que a sua vida mudou com a chegada de Flávia: “Ela foi capaz de construir um lar, um ambiente de acolhimento em, talvez, um dos locais menos acolhedores do mundo”.
Flávia Ribeiro de Castro é fundadora e presidente da ONG Casa Flores, instituição dedicada à ressocialização de mulheres que viveram a experiência do cárcere. A Casa Flores é também lar e a primeira experiência de refúgio para muitas delas. A Casa Flores oferece apoio social, educacional e de saúde. Tem mais uma parte que Flávia define como fundamental: o olho no olho, o café da tarde com bolo e a convivência dignos de um verdadeiro lar. Essa iniciativa impacta diretamente as famílias das pessoas atendidas e se estende às comunidades de onde vêm.
Livro Xal – Órfã, drogada, moradora de rua, prostituída, presidiária. E milagre de superação.
1. Amigas além do tempo
A Casa Flores nasceu de um encontro de amigas em 2016, logo depois de uma sessão de cinema do filme “Estrelas Além do Tempo”, história em que um grupo de matemáticas negras da NASA é obrigado a trabalhar à parte de outros engenheiros. “Eu tinha um contato com a Maria Laura Canineu, que estabeleceu a Human Rights Watch aqui no Brasil, também começando”, conta Flávia, que tinha lançado em 2011 um livro, “Flores do Cárcere”, com sua experiência na penitenciária de Santos. O livro explica como o amor, o respeito e a compaixão melhoraram a convivência das encarceradas, a ponto de muitas resolverem mudar de vida. As amigas passaram um ano pesquisando temas até que conversaram com a procuradora Berenice Gianella, que ficou à frente da Fundação Casa por doze anos. Chegaram à conclusão que o momento de maior vulnerabilidade era a saída do cárcere, onde não há qualquer tipo de atendimento.
2. Preconceito no aluguel
A ONG foi fundada oficialmente em 2018. O começo não foi sem dificuldades: tiveram o aluguel do espaço recusado várias vezes depois de revelar que a entidade ajudaria mulheres saídas do sistema prisional. “Lidar com todo esse preconceito é um dos lados difíceis”, explica Flávia. “A gente tem preconceitos que estão estruturados ou que, na verdade, estruturam a nossa sociedade. E essas falsas ideias atrapalham muito o nosso trabalho.”
3. Flores do cárcere
No ano seguinte, a Casa Flores lançou o documentário “Flores do cárcere”, onde algumas das egressas visitam o antigo “Segundinho”, penitenciária feminina de Santos-SP, desativada em 2014, por causa das más condições e da superlotação. À ocasião das gravações, Flávia reencontrou Xal: “Foi terrível. Ela estava morando na rua, numa tenda de plástico amarela, completamente drogada… No presídio, o chuveiro é frio, água é fria, mas ele está lá. Na rua não tem nada disso. Na rua é a calçada suja, a poluição, a chuva, o calor… é você viver completamente vulnerável, sem nenhum tipo de proteção: só com uma lona amarela. Xal vivia drogada com crack 24 horas por dia. Estava muito magra, quase sem mais nenhum dente. Nossa, foi horrível”
4. Abandonadas pelo Estado
A ONG tem atuado também em duas outras frentes: ativismo político, voltado à conscientização da realidade do sistema carcerário e das pessoas que ali estão, e produção de conteúdo, iniciativa que deu origem ao livro “Xal” e também ao documentário “Flores do cárcere”. Nenhuma participante do programa reingressou no sistema prisional. Mas a quantidade de pessoas atendidas é pequena. Há a esperança que, com a difusão dessas histórias, outras iniciativas semelhantes apareçam e o preconceito da sociedade diminua. Um terço das mulheres encarceradas sequer foram julgadas. A maioria é negra, de origem pobre, e processada por pequenos furtos ou envolvimento com o tráfico, onde usualmente são exploradas na ponta do trabalho, têm envolvimento com um traficante e são dependentes químicas. “Se um de nossos filhos errou e fez uma bobagem, o que queremos pra ele? É assim que as pessoas precisam pensar. E é assim que um governo deveria pensar. O governo não olhou para essas crianças em nenhuma das fases importantes da vida delas. Então não pode dar certo isso.”.
5. Bichinhos assustados
O trabalho com mulheres egressas do sistema prisional não foi o seu primeiro. Foi durante quatro anos diretora voluntária de um abrigo de crianças na cidade de São Paulo. Observou as crianças que chegavam “como bichinhos assustados”, muitas vezes sem sequer falar: vindas da vida na rua, do completo abandono e do consumo de drogas, sem documento ou nome que as identificasse. Ao constatar que isso era fruto em vários casos de uma mãe
encarcerada, quis entender o que poderia ser feito antes, para evitar esse abandono e solidão. O abandono paterno é frequente no Brasil e toda a responsabilidade é posta sobre a mulher.
Na infância, Flávia conta que estudou em colégios particulares e ajudava a madrinha, diretora de escola pública, a dar aulas de reforço nos fins de semana. Recorda-se também da mãe que, ao ouvir uma criança batendo no portão para pedir comida, a punha para dentro, a alimentava, dava-lhe banho e só depois ligava para o tio, que trabalhava no Juizado de Menores. “Quando era pequenininha, eu mudei de escola”, conta. “Nessa escola nova tinha uma casinha de madeira. Todo recreio eu ia lá para arrumar as coisas que estavam desarrumadas naquele larzinho. Para mim, lar é o símbolo de meu lugar do mundo, o espaço em que recebo afeto”.
Alimentada por todas essas experiências, Flávia repete até hoje o gesto de consertar outros larzinhos.
A Panda Books abriu sua nova coleção de Clássicos em Língua Estrangeira com um dos títulos mais controversos e interessantes do século XIX: “O Retrato de Dorian Gray”, do irlandês Oscar Wilde. O texto de 1890 ganhou nova tradução do jornalista, crítico e tradutor José Geraldo Couto e conta também com os já consagrados e divertidos comentários e notas da jornalista, escritora e pesquisadora Fátima Mesquita. A pedido do Panda News, Fátima fez uma apresentação da edição:
“O cenário é a Inglaterra Vitoriana do século XIX e a trama gira em torno de Dorian, um narciso que se encantou com a própria imagem e ansiou pela eterna juventude, milagrosamente ou amaldiçoadamente a conseguindo. Hedonista, Dorian vivia pelos prazeres da vida, degradando-se moralmente com o decorrer do tempo.
“O prefácio da obra é uma digressão de Wilde acerca da arte, do artista e da utilidade de ambos, encerrado com a conclusão: “A arte é perfeitamente inútil”. O movimento esteticista da época, crítico ao utilitarismo da Revolução Industrial, por vezes interpretou essa busca do belo e da felicidade como verdades absolutas, enquanto o desenvolvimento da trama se assemelha mais a um aviso de cautela a esse modo de vida. As discussões presentes na obra permanecem atuais e relevantes, numa sociedade de vidas perfeitas no Instagram e trabalhos alienantes da realidade: o culto extremo à beleza e à imagem, as consequências de uma vida centrada nos prazeres ou em sua ausência.
“A obra e seu autor foram alvo de diversas polêmicas. O que mais me atrai no Oscar Wilde é a ousadia. Dá pra imaginar como ele arrasava onde quer que fosse? E ele era esse abusado e amostrado dentro e fora, né, porque se vestia e se comportava e escrevia e conversava e vivia na boca do abismo, de verdade e com intensidade máxima. E ele tinha essa coisa quase mágica de não ficar dourando pílulas, mas ao mesmo tempo se expressar sempre como uma purpurina ambulante.”