É nesse território metafórico que se inscreve Quando você acha a pedra certa, da norte-americana Mary Lyn Ray. Além de seu jogo entre imagem e texto, o livro é atravessado por reflexões profundamente humanas que tratam as pedras como reflexos das experiências, dos desafios e dos afetos que nos constituem, tornando-se uma leitura sensível e acessível para todos os leitores.
Entre pedras, rochas e minerais, a obra convida o leitor a um percurso sensível pela matéria mais antiga do mundo, aquela que sustenta montanhas e, ao mesmo tempo, habita o bolso de uma criança. Com delicadeza poética, a obra transforma as pedras em metáforas da experiência humana: ora preciosas e luminosas, como gemas que guardam afetos, ora pesadas e imensas, como obstáculos que parecem intransponíveis. Assim, Quando você acha a pedra certa propõe uma reflexão profunda sobre permanência, resistência, beleza e transformação, revelando que, assim como as pedras, nós também carregamos histórias, marcas do tempo e possibilidades de lapidação.
Celebrado como uma obra de rara sensibilidade, o livro de Mary Lyn Ray, tem um texto lírico e contemplativo, que se afasta de abordagens científicas para explorar o valor emocional e simbólico das pedras, reconhecendo nelas fontes de conforto, identidade e pertencimento. Além disso, as ilustrações de Felicita Sala ampliam o sentido do texto ao apresentar uma diversidade de formas, cores e escalas, reforçando a ideia de que não existe uma “pedra certa” para todos – mas aquela que, em determinado momento, se torna essencial para cada um de nós.




Fabiana Prando é mestre em letras pela Universidade de São Paulo, já foi professora e hoje se define como contadora de histórias. Especializou-se em narração de contos e fala sobre esse tema no Ateliê Ocuili, no YouTube, no Spotify e em uma web-radio. Criou um jogo de cartas chamado Trickster, no qual os participantes criam histórias a partir de cinquenta cartas com arquétipos de imagens primordiais de diversas culturas.
Katia Canton é psicanalista, escritora, professora e artista visual, com PhD em artes interdisciplinares pela Universidade de Nova York. Seu trabalho explora arte, feminismo e contos de fadas. Formada em comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), também estudou arte, dança e arquitetura, e obteve diploma em literatura francesa. Publicou The fairy tale revisited, traduzido no Brasil como E o príncipe dançou… Atuou como repórter cultural e trabalhou no The Museum of Modern Art (MoMA) em projetos de arte-educação. Professora na USP, foi vice-diretora e diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC). Pesquisa criatividade, cura e neuroestética, e integra psicanálise e arte. Autora de mais de sessenta livros, é premiada com três Prêmios Jabuti.