Aprendizagens Visíveis: uma nova forma de pensar a educação

Livro reúne artigos de 17 autores para compartilhar práticas inovadoras que colocam o aprendizado no centro do planejamento pedagógico

 

De que forma um estudante aprende mais em sala de aula? Essa pergunta parece difícil de ser respondida, mas depois de algumas décadas de pesquisas um grupo de educadores chegou a uma conclusão: o aprendizado é mais eficiente quando professores, diretores e alunos entendem cada etapa do processo.

Planejar, anotar, escrever, tornar explícito para o estudante de que forma ele vai aprender, criar mecanismos para que ele perceba o próprio aprendizado e, por fim, criar estratégias de avaliação que sejam capazes de detectar com clareza a evolução de cada um são alguns dos princípios da “aprendizagem visível”, uma expressão criada há pouco mais de uma década pelo neozelandês John Hattie, mas que resume um século de reflexões sobre a necessidade de otimizar o processo de ensino.

Depois de mais de duas décadas pesquisando o tema, pensando a educação e formando professores, a consultora pedagógica Julia Pinheiro Andrade resolveu organizar uma coletânea de práticas e reflexões inovadoras baseadas nesta ideia: “Aprendizagens visíveis: Experiências teórico-práticas em sala de aula” foi lançado pela Panda Books e reúne artigos de 17 autores – Julia e mais 16 convidados.

Os textos têm total autonomia entre si. A introdução condensou a base teórica comum e então é possível ler autonomamente cada capítulo sem prejuízo na compreensão”, explica Julia.

Se ainda parece um pouco difícil enxergar de que inovações estamos falando, a autora dá algumas pistas: “Discutimos princípios de planejamento e formação continuada de professores evidenciando mudanças de concepção. Mostramos também algumas práticas “mão na massa” [quando o aluno produz algo com as próprias mãos], que são documentadas para que haja reflexão sobre o que foi produzido. Temos o “thinking design” para pensar como a gente articula essas estratégias de visibilidade do aprendizado, temos capítulos sobre estratégia de avaliação e temos capítulos sobre estratégias de compreensão pra entender como a gente pode alinhar ensino, currículo e avaliação dentro essa ideia de desenvolver a compreensão e não a memorização mecânica e ainda fazer isso de maneira visível para todos”, enumera.

Nessa entrevista, ela explica o que é a aprendizagem visível e traz detalhes sobre o processo de curadoria da obra.

 

O que este livro e principalmente este conceito das aprendizagens visíveis acrescentam para o debate sobre a educação do Brasil neste momento?

Pesquiso as aprendizagens visíveis desde 2015 e conheci muitas práticas potentes dentro e fora do Brasil. Quis organizar uma coletânea dessas práticas porque faltam materiais em português. Desde o início, a preocupação foi fazer uma curadoria com práticas transformadoras que tivessem fôlego para fazer uma reflexão teórica. São abordagens inovadoras que vão do ensino fundamental até o ensino superior. São práticas que alinham os objetivos, as estratégias metodológicas e as estratégias de avaliação, que tornam esse aprendizado visível porque documentam o aprendizado fazendo com que os estudantes desenvolvam uma consciência sobre o que eles estão aprendendo. Começar a trabalhar desse jeito é um caminho sem volta. Você não faz mais de outro jeito.

 

O livro reúne textos de 17 autores. Como foi feita essa curadoria?

Eu tinha alguns parceiros nas pesquisas sobre o tema desde o começo. Depois, selecionei algumas autoras que já trabalhavam baseadas no Projeto Zero [centro de pesquisa inaugurado em 1967], da Universidade de Harvard. Em seguida, olhei para o lado e vi quem estava desenvolvendo práticas inovadoras. Ao menos dois convites não se concretizaram por falta de tempo. Mas outros livros virão!

 

O neozelandês John Hattie é uma espécie de ‘pai’ da bibliografia sobre aprendizagens visíveis em nível internacional. Trata-se de algo mais ou menos recente como literatura. Quais são os principais preceitos e conceitos que representam a ideia de aprendizagem visível?

Hattie teve a felicidade de dar o nome a esse conceito dentro da sua metanálise, que buscava entender os fatores que mais influem no aprendizado para que a gente entenda em quais deles vale investir o tempo. Mas, do ponto de vista pedagógico, não é algo novo. Nova é a pesquisa. O que ele fortalece é algo que já era apontado por toda a pedagogia crítica ao longo do século XX: quando o estudante se envolve em atividades autênticas, com critérios e objetivos conhecidos, e se envolve também no sentido de ganhar consciência sobre o que está aprendendo, ele aprende mais. Isso já aparecia nas pesquisas de vários autores, inclusive do Paulo Freire. O próprio Projeto Zero já estuda o tema há mais de 50 anos e essa é a espinha dorsal do livro. Hattie organizou evidências robustas de pesquisa para explicitar o que é essencial.

 

O título do livro fala em “experiências teórico-práticas”. Como foi o equilíbrio entre essas duas vertentes – a teoria e a prática?

São estratégias que são refletidas teoricamente, mas todas elas foram colocadas em prática. Esse foi o pedido para todos os autores: eu os convidei por causa das práticas que eles desenvolvem, mas eu queria que houvesse reflexão teórica. Então, em todas as práticas, há uma contextualização sobre qual é a base teórica, quais são os conceitos-chave e como esses conceitos podem ser aplicados na sua realidade. A ideia é que os leitores se inspirem nessas práticas para potencializar as suas próprias práticas em sala de aula. Como eu posso ampliar a minha prática? O que eu posso testar? Esse é o convite.

 

Falamos aqui de mudanças muito bruscas na forma de ensinar e avaliar. Na sua visão, essas ideias estão em conflito com o modelo padrão da educação brasileira? O professor tem a autonomia para aplicar esses conceitos ou será preciso se chocar com o diretor da sua escola ou até mesmo com as diretrizes do Ministério da Educação?

Todos os autores trabalham com formação de professores, então esse é um debate comum para eles. Todo professor, respeitando as orientações curriculares, consegue desenvolver a aprendizagem visível, a documentação da aprendizagem e a explicitação do processo de maneira mais significativa. Porém, é muito evidente que, quando há um conjunto de professores atuando dentro essa ideia, tudo fica mais potente. Essa é uma das observações da metanálise, de John Hattie. A inteligência coletiva cria uma cultura dentro de sala de aula. Quando a gestão está envolvida, temos as escolas que querem criar uma cultura de pensamento baseada no alinhamento entre os objetivos do currículo, a estratégia de aprendizado e a avaliação do processo.

 

O Brasil tem escolas, professores, alunos e condições de trabalho muito diferentes -não só de uma região para outra como muitas vezes dentro de uma mesma cidade. Essas ideias são universais? Ou a aplicabilidade é restrita a uma realidade específica?

Todo mundo pode fazer. São princípios. Claro que depende do espaço pedagógico que a escola oferece para esse tipo de visão. Em sistemas apostilados e muito controlados no que diz respeito ao tempo para tratar de cada tema, o espaço pra cultura do pensamento e do debate é menor. Em escolas baseadas em projetos autorais, o espaço é maior. Mas está documentado no livro: os conceitos podem ser adaptados mesmo nos modelos mais rígidos. As ideias já foram aplicadas inclusive em grupos enormes, de maneira online e presencial. É mais difícil do que em uma turma não tão grande, onde é possível criar espaços de debate, mas é possível.

 

Você mencionou o aprendizado remoto e esta foi uma das grandes novidades trazidas pela pandemia da covid-19. O que esta crise sanitária e os seus impactos na educação trouxeram de novo para o livro e para o conceito no qual ele se baseia?

O livro nasceu antes da pandemia, então as práticas também são anteriores. Mas várias delas foram lecionadas durante a pandemia. Há, inclusive, a documentação de aplicativos que foram usados no período de ensino remoto para auxiliar os registros e a interação entre os estudantes. Tem muita ilustração, muito QRCode, muitos links que foram utilizados… O princípio é tão eficaz que ajudou muito nesse período.

Escritores comemoram escolha de obra infantil como livro do ano pelo Prêmio Jabuti

Eleição de “Sagatrissuinorana”, de João Luiz Guimarães e Nelson Cruz, traz esperança de maior reconhecimento para os autores do gênero

A vitória na categoria Livro do Ano na 63ª edição do Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, pertenceu a apenas dois autores: João Luiz Guimarães (texto) e Nelson Cruz (ilusrrações). Um universo muito maior de escritores, no entanto, se permitiu celebrar a escolha de “Sagatrissuinorana”. O reconhecimento à obra que homenageia o escritor mineiro Guimarães Rosa ao mesmo tempo em que relembra as vítimas das tragédias ambientais das cidades mineiras de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, pode marcar um ponto de virada no status da literatura infantil, muitas vezes vista como algo “menor”.

Essa é a aposta de Tino Freitas, autor de “Um abraço passo a passo”, lançado pela Panda Books em 2016. Para ele, o próprio espanto causado por essa escolha mostra como este gênero tão importante é ao mesmo tempo tão subestimado: “A gente precisa estar mais presente nesses espaços. A escolha do Jabuti é uma forma de marcarmos território e mostrarmos que nós pertencemos a este ambiente artístico onde a literatura é uma forma de arte que emociona, desconcerta e surpreende”.

Penélope Martins, que assina “Aventuras de Pinóquio”, que a Panda Books lançou em 2018, vê a premiação como “um marco para todas as pessoas que dedicam suas vidas para fazer da leitura um direito de todas as pessoas”. E adiciona: “Escrever infâncias é voltar ao genuíno lugar de nós mesmos, à capacidade de dizer a vida ao brincar, construindo saberes na partilha. Isto é a razão de escrever e ler porque só somos humanos no espaço dialógico em que as ideias são trocadas e as reflexões permitem a construção de algo novo. Por isso, um viva para ‘Sagatrissuinorana’ e para todas as pessoas, editoras, escolas, famílias e leitores que acreditam no poder de contar histórias”.

Dentro do próprio Prêmio Jabuti, a categoria Livro do Ano é recente. Teve início em 2018. Mas desde 1991 havia uma premiação chamada “Livro do Ano Ficção”, que jamais consagrou a literatura infantil e premiou grandes nomes como Chico Buarque de Hollanda (por “Estorvo”, em 1992, “Budapeste”, em 2004, e “Leite derramado”, em 2010), Carlos Heitor Cony (por “Quase memória”, de 1996, e “A casa do poeta trágico”, de 1998), Rachel de Queiroz (por “Memorial de Maria Moura”, em 1993), Lygia Fagundes Telles (por “Invenção e memória”, em 2001), Manoel de Barros (por “O fazedor do Amanhecer”, em 2002), Nélida Piñon (por “Vozes do deserto”, em 2005), Ferreira Gullar (por “Resmungos”, em 2006), Ignacio de Loyola Brandão (por “O menino que vendia Palavras”, em 2008) e Luís Fernando Veríssimo (por “Diálogos impossíveis”, em 2013).

A partir de 1993, o Jabuti também passou a premiar o “Livro do Ano Não Ficção” – unificando as duas categorias em 2018 –, tampouco sem consagrar a literatura feita para as crianças, mas premiando trabalhos de fôlego como “Rota 66 – A história da polícia que mata”, de Caco Barcellos, em 1993; “Estrela solitária”, de Ruy Castro, em 1996; “Estação Carandiru”, de Dráuzio Varella, em 2000; ou a trilogia “1808” (em 2008), “1822” (em 2011) e “1889” (em 2014), todos de autoria de Laurentino Gomes. Essa prateleira respeitável torna ainda mais impactante a presença de um livro infantil nesta galeria consagrada. No último dia 25, na entrega do prêmio, Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro, responsável pelo Jabuti, avaliou que o resultado reafirma a criança como o motor da literatura nacional: “É formando jovens leitores que conseguimos difundir os livros em todas as esferas da sociedade brasileira”, afirmou. “Por isso, é tão importante termos uma produção relevante para oferecer aos pequenos”.

Tino Freitas chama atenção inclusive para o fato de a eleição ter sido feita com a obra classificada como “livro infantil”, e não como um “livro ilustrado”: “Ganhou como livro infantil e ganhou como livro do ano enquanto livro infantil. A percepção de que ‘livro ilustrado’ é algo maior do que ‘livro infantil’, além de equivocada, não corresponde à verdade do Jabuti. O prêmio escolheu um livro feito para crianças como o melhor livro do ano e essa é a grande notícia”, resume.

Festa do Livro da USP acontecerá entre 8 e 15 de novembro

O tão aguardado encontro entre editoras, autores e leitores será remoto mais uma vez

A pandemia da Covid-19 não interrompeu uma tradição de mais de duas décadas na Universidade de São Paulo: mesmo em 2020, quando a vacinação ainda era apenas uma expectativa, a Edusp, a editora da USP, conseguiu realizar a Festa do Livro de maneira virtual. Um ano depois, os cuidados permanecem: mais da metade da população brasileira já foi imunizada, os números de casos e de mortes decorrentes da covid caíram bastante, mas a pandemia ainda não acabou. Então, a 23ª edição do evento reunirá leitores, autores e editoras de forma remota entre os dias 8 e 15 de novembro.

Desde 1999, anualmente editoras de todo o país reúnem os seus melhores títulos e oferecem descontos especiais para os leitores. O desconto mínimo é de 50% do preço de catálogo. A Panda Books
chegou à festa em 2005: “O que sempre nos motivou foi o contato direto com os leitores e poder ver as reações aos nossos títulos, capas e temas, além de poder abordar as obras com um pouco mais de profundidade. É um encontro com professores, estudantes, fãs e leitores de todas as idades”, comemora Patth Pachas, diretora comercial da Panda.

No formato remoto, as aglomerações em torno das tendas são substituídas por links para as lojas virtuais de cada uma das editoras a partir do portal oficial da Festa. “Já no ano passado foi uma experiência muito diferente. Se por um lado não vemos os leitores, por outro os leitores vieram de regiões mais distantes, como Amazonas, Roraima, Piauí e Santa Catarina”, afirma Patth, que vê neste novo formato a possibilidade de ampliar ainda mais o alcance do evento, que já era anteriormente marcado pela forte presença de visitantes do interior de São Paulo. O que ela espera é que, em 2022, as tendas possam estar novamente abarrotadas, com contato direto entre a editora e os leitores, mas sem abrir mão da possibilidade de alcançar o país inteiro: “Gostaria de ver um formato híbrido”, completa.

Almanaque do Fundo do Mar no Mar…anhão

Escola Crescimento utiliza desde 2017 o livro publicado pela bióloga Rachel Azzari

 

“Um mergulho no fundo do mar: como será que vivem os animais da zona abissal?”. Pesquisar sobre a mais profunda camada dos oceanos era o mote de um trabalho literário realizado pela Escola Crescimento, em São Luís. Para chegar à resposta, os alunos do 1º ano do ensino fundamental não precisaram desbravar textos científicos de alta complexidade: além de receberem a visita de um biólogo, eles contaram com o “Almanaque do Fundo do Mar”, lançado em 2013 pela Panda Books. “Pesquisamos, lemos, fizemos fichas técnicas, construímos legendas, fizemos desenhos de observação e produzimos um documentário para apresentar aos pais. Foi um sucesso!”, comemora Gisele Regina, diretora pedagógica da unidade do bairro do Calhau.

 

Gisele explica ainda que o livro de Rachel Azzari já está em sintonia com a proposta da instituição há mais tempo: “Em 2017, a Escola Crescimento iniciou um processo de reforma na alfabetização que praticávamos. Construiu-se então um material didático que usamos até hoje. Uma parte desse material é a produção de fichas técnicas sobre animais do mar. O livro é um material adequado para pesquisa e aplicação dos procedimentos de estudos. Incentiva a pesquisa e aguça a curiosidade”, avalia.

 

A primeira unidade da Escola Crescimento foi aberta em 1984. A metodologia de ensino consiste em, antes de propor atividades, iniciar o assunto que será estudado por meio de vídeos e textos. Para as crianças em fase de alfabetização, o foco é nas leituras coletivas, com estímulo à interpretação dos textos: “Selecionamos atividades que ajudem o aluno a posicionar seu ponto de vista e ampliar seus repertórios por meio de diferentes tipos de textos e dados. Acreditamos em uma aprendizagem significativa por meio de intervenções que garantem engajamento dos alunos e que favoreçam o protagonismo dele”, define a diretora.

Edições atualizadas de clássicos: viagem prazerosa pelo passado

“Mensagem”, de Fernando Pessoa, é o oitavo clássico da coleção da Panda Books

 

A leitura de alguns dos chamados clássicos da literatura é indispensável para quem se prepara para vestibulares em todo o país. Obrigações, em tese, estão na contramão de qualquer atividade prazerosa. Mas essa regra pode ter suas exceções: nesse caso, versões atualizadas, com extenso material de apoio ao longo de todo o livro, ajudam a orientar o leitor e a atrair sua atenção para o que há de mais interessante.

Fernando Pessoa

No caso da série “Clássicos da Língua Portuguesa”, da Panda Books, esta missão é de responsabilidade da escritora Fátima Mesquita. Seu trabalho mais recente foi com “Mensagem”, publicado pelo português Fernando Pessoa em 1934: “É um livro de poesias sobre a história mais ou menos recente de Portugal baseado nos pensamentos de um autor que era muito místico. Então, é uma viagem. Para mim, foi uma descoberta”.

 

Fátima admite que a leitura não é tão simples, em parte pela estrutura das poesias e em parte pelo próprio misticismo do autor. Mas destaca que, com o apoio das notas auxiliares, o leitor pode entender melhor uma trama que tem tudo a ver com a História do Brasil, mas que não costuma ter grande destaque: “O livro é um voo rasante sobre a História de Portugal. Não estudamos muito sobre ela, mas existem várias ligações com o Brasil. O livro fala muito sobre processos de colonização e descolonização e mostra um povo português já chateado porque o país não tinha mais aquela grandiosidade de comandar várias partes do mundo. É uma história de ascensão e queda. E uma queda muito grande”, resume.

 

5 dicas para a leitura dos clássicos para os vestibulares

1 – Procure edições atualizadas e esteja atento às notas

Os textos são escritos em um português muito diferente do que se usa atualmente e as histórias se desenvolvem em épocas também muito diferentes. Por isso, versões atualizadas são importantes para explicar o significado de algumas expressões e para oferecer o contexto histórico ao leitor. Estar atento às notas complementares ao longo do livro é fundamental.

2 – Perceba os temas atuais

“Os clássicos são novelas das oito”, compara Fátima Mesquita. Parece loucura, mas faz sentido: “Se você for além da linguagem, verá que é assim. No caso dos clássicos brasileiros, muitos eram publicados como folhetins nos jornais, então trazem os ganchos pro capítulo seguinte, a diversão… Eles são divertidos”, explica. Até por isso, uma leitura atenta vai captar muitos temas que permanecem atuais em algumas dessas obras: violência, política, sexo, desigualdades, economia, moda, costumes, ou, de maneira mais ampla, tudo o que envolve as relações humanas.

3 – Mergulhe no que mais lhe interessa

Como os clássicos apresentam uma perspectiva histórica sobre temas que continuam fazendo parte das nossas vidas, a leitura pode abrir caminho para que se conheça mais sobre uma área específica de interesse. Um estudante que se interesse por moda, por exemplo, pode conhecer mais sobre as roupas do passado. Quem gosta de economia, poderá entender as dinâmicas econômicas de séculos passados, quando já se falava, por exemplo, em inflação. E, no aspecto social, os clássicos ajudam a entender as bases das desigualdades de raça e de gênero no Brasil e no mundo. Parar a leitura e fazer uma pesquisa na internet sobre algo que tenha despertado interesse pode ajudar a mudar a impressão geral sobre um livro.

4 – Tudo é interdisciplinar

Se por um lado é verdade que a leitura dos clássicos pode ajudar a entender conteúdos de outras matérias – especialmente a história –, por outro também é verdade que, entendendo melhor as outras matérias, a leitura ficará mais simples. Ter uma boa bagagem sobre assuntos das mais diferentes áreas vai encurtar os caminhos para facilitar o entendimento.

5 – Faça um planejamento

Não tente ler o livro inteiro de uma vez. Estude o tamanho do livro, encontre uma métrica que seja compatível com os seus hábitos (por exemplo, um capítulo por dia) e se organize para que a leitura não fique pesada. Naturalmente, imprevistos podem acontecer e atrasos podem ser compensados. Ou, se o momento estiver especialmente empolgante, o leitor pode se antecipar e depois tirar um dia de folga. O importante é manter a concentração e absorver a leitura.

 

O que é trabalho infantil?

Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação de cada país.

No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos.

Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos.

Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais.

Como consequência, a violação expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.

 

Quer saber mais sobre o trabalho infantil?

 

No livro Meninos Malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil, de Bruna Ribeiro e Thiago Queiroz Luciano, você encontrará relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, no cemitério, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome.

Nas últimas páginas, você encontrará números, dados e contextualizações que podem contribuir para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.

Acesse nosso site e saiba mais!

 

 

 

Entre e sinta-se em casa!

Um convite para adentrar na obra de artistas contemporâneos e explorar novas possibilidades de ocupação da casa em que moramos

“Como nascem as casas? Dos sonhos, do desejo e da necessidade de ter um lugar para morar, das mãos dos trabalhadores, dos traços dos arquitetos, dos mutirões e das ideias dos artistas.”
O que difere a casa em que vivemos das casas criadas pelos artistas? Quantos tipos de casas podem existir? As arte-educadoras Diana Tubenchlak e Renata Sant’Anna apresentam no livro Entre: a arte é sua, da Panda Books, um olhar investigativo e poético para este espaço que passamos a ocupar em tempo integral. Obras de diversos artistas contemporâneos preenchem as páginas do livro, revelando as mais diferentes propostas. Cozinha com banheiro? Uma casa toda vermelha? Sofá na parede?

Nesse passeio pelo livro-casa estão obras de Regina Silveira, Mônica Nador, Romulllo Conceição, German Lorca, Alfredo Volpi, entre outros artistas, que permitem não só mostrar uma nova perspectiva sobre o objeto casa, mas que possibilitaram a transformação dos espaços. Conheça a shabono, casa dos índios yanomami que é incendiada para eliminar insetos, fotografada por Claudia Andujar; a casa-carro dos artistas colombianos Ninibe Forero e Leonardo Ruge que se refugiaram no Rio de Janeiro; e a casa toda vermelha de Cildo Meireles. Ao final do livro, na seção informativa, as autoras apresentam propostas de experiências artísticas para serem vivenciadas pelos pequenos leitores em suas casas, transformando-as em uma casa-ateliê.

 

TRECHOS

 

Educação para um mundo melhor

O renomado palestrante Marc Prensky propõe uma importante reflexão sobre o futuro da educação

 

Em seu visionário livro, o educador e futurista de renome internacional Marc Prensky apresenta uma alternativa ao modo como ensinamos e o que ensinamos para as crianças, baseada na aplicação da paixão dos alunos a projetos da vida real. Para Prensky, a educação deve girar em torno de ações que transformem o mundo e façam com que as pessoas melhorem a si mesmas no processo. Ele argumenta que o ensino calcado em uma combinação rotineira de matemática, artes da linguagem, ciências e estudos sociais deixa cada vez mais a maioria de nossos alunos despreparada para o futuro.

O autor elenca uma série de projetos inspiradores que vem sendo realizados em escolas do mundo todo. Como ele afirma, “projetos reais que melhoram o mundo são aqueles que produzem mudanças efetivas e, com sorte, duradouras nas comunidades locais e globais de crianças e jovens – mudanças para as quais eles podem apontar e dizer: “Eu e meu grupo fizemos isso!”. Com base nas tendências mundiais emergentes, Prensky elabora uma visão abrangente para a educação básica, incluindo novas finalidades, novos meios, novo conteúdo curricular, novo tipo de ensino e novo uso da tecnologia. Este é, em última análise, um livro sobre o desenvolvimento da capacidade dos jovens de realizar coisas que tornarão seu mundo um lugar melhor, usando meios nunca antes disponíveis. Ele propõe uma visão inovadora e viável para uma Educação Global Futura que preparará melhor estudantes de todas as origens e classes sociais.

“Se o objetivo da educação é que crianças e jovens se tornem pessoas melhores, mais competentes, capazes de aprimorar o mundo e mais bem-preparadas para o futuro, ‘realizar’ é um meio muito mais eficiente para alcançar esse objetivo do que a ‘aprendizagem’ pela qual quase todas as nossas escolas estão obcecadas. Pouquíssima coisa da grade curricular atual prepara os alunos para realizações no mundo.”

Educação para um mundo melhor foi agraciado com o prêmio Indies Gold Award (2016), na categoria Melhor Livro de Educação.

O AUTOR

MARC PRENSKY é um aclamado palestrante, escritor, consultor e designer de renome internacional no campo da educação. Criador da expressão “nativo digital”, é fundador e diretor-executivo da Global Future Education Foundation, uma organização sem fins lucrativos dedicada a uma nova visão da educação para fomentar o empoderamento das crianças. Prensky já ministrou palestras e participou de simpósios, debates, mesas-redondas e conferências em quarenta países. É autor de oito livros, publicou mais de cem ensaios e seus textos foram traduzidos para onze idiomas. Sua formação acadêmica e carreira profissional incluem mestrados em Harvard e Yale, seis anos no Boston Consulting Group, desenvolvimento de jogos de software e ensino em todos os níveis. Os textos e a agenda de palestras de Marc Prensky podem ser encontrados em: http://marcprensky.com.

Para obter outras informações, consulte: http://global-future-education.org/; http://btwdatabase.org/; e http://bettertheirworld.org/.

Meninos Malabares

Trabalho infantil não é brincadeira

Livro-reportagem apresenta a história de crianças sob uma nova face do trabalho na infância

 

Nos faróis, nos cemitérios, nas lanchonetes e nas plantações encontramos crianças e jovens que tentam sobreviver ganhando seu próprio dinheiro, seja para garantir o alimento do dia ou para ajudar a família. Visando humanizar uma das mais graves violações de direitos contra crianças e adolescentes, os jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano (fotos) apresentam em Meninos malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil dez histórias reais que retratam a vida daqueles que não tiveram outra opção além do trabalho na infância.

Conheça a história dos meninos malabares que equilibram cones e tochas de fogo em um desenho nas alturas, dos adolescentes que limpam túmulos nos cemitérios de São Paulo em busca de uns trocados, de um menino de oito anos que trabalha em uma plantação de palmitos, e como uma família de bolivianos conseguiu se libertar da escravidão em uma oficina de costura. As fotos que acompanham cada uma das histórias emocionam e escancaram a situação vivida pelas crianças.

A obra traz relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome. Os autores apresentam também a trajetória de uma família que, com muito esforço, conseguiu romper o ciclo da exploração. Os relatos revelam o trabalho infantil como consequência de um problema estrutural, exigindo políticas públicas intersetoriais que respondam às mazelas de um dos países mais desiguais do mundo. Ao final do livro os autores apresentam números, dados e contextualizações que podem contribuir para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.

O QUE É TRABALHO INFANTIL?

“Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação de cada país. No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos. Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos. Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais. Como consequência, a violação expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.”

OS AUTORES

BRUNA RIBEIRO é graduada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em di-reito internacional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com extensão na Academia de Direito Internacional de Haia, na Holanda, aprofundando seu trabalho como repórter na área de educação e direitos humanos. Em 2015, depois de passar pelas redações do Jornal da Tarde, de O Estado de S. Paulo e da revista Veja São Paulo, lançou um blog sobre direitos de crianças e adolescentes no Estadão, que continua ativo. No ano seguinte, ingressou no projeto Criança Livre de Trabalho Infantil, da Cidade Escola Aprendiz, no qual atua como gestora. Em 2021 recebeu o prêmio Jornalista Amigo da Criança.

TIAGO QUEIROZ LUCIANO é formado em jornalismo pela PUC-SP e trabalha como repórter fotográfico no jornal O Estado de S. Paulo há quase vinte anos, onde desenvolve as mais diversas pautas para as várias editorias do periódico. Tem especial predileção por reportagens de personagens anônimos da cidade. Pautas que, muitas vezes, estão invisíveis nas chamadas dos principais noticiários. Em grandes coberturas, teve a oportunidade de fotografar tais anônimos, como no terremoto que devastou o Haiti, junto com o repórter João Paulo Charleaux, e em uma viagem pela Amazônia, onde refiz o trecho final de uma expedição centenária de Euclides da Cunha pelos limites entre Brasil e Peru, acompanhado pelo saudoso editor Daniel Piza. A viagem resultou no livro Amazônia de Euclides, publicado em 2010. Em 2020, ganhou o 37º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.

TRECHOS

“O guia dos curiosos” ganha edição comemorativa e toda colorida aos 26 anos

O guia dos curiosos, almanaque com informações úteis e inúteis, escrito pelo jornalista Marcelo Duarte, comemorou 25 anos em 2020. O livro, que faz parte da memória afetiva de algumas gerações, virou uma coleção já com nove títulos. Por causa da pandemia, a edição comemorativa teve que esperar um pouco para sair. Agora, aos 26 anos, O guia dos curiosos – Edição Fora de Série acaba de ser lançado pela Panda Books. Por que “Edição Fora de Série”? O próprio Marcelo explica:

“Depois do livro de estreia, a série começou a ganhar volumes temáticos: Esportes, Invenções, Brasil, Língua Portuguesa, Jogos Olímpicos, Sexo, Curiosas e Copas do Mundo. A nova edição volta às origens, com curiosidades de diferentes temas”.

O autor elegeu 18 temas que poderão ganhar, no futuro, guias próprios. Os capítulos são: Cinema; Futebol; Nojeiras e Bizarrices; Dinheiro; Dinossauros; Línguas; Cultura Pop; Heróis; Música; Datas e Festas; Comidas; Religiões; Carros; HQs e Desenhos Animados; Tecnologia; Grandes Guerras; Mundo; e Esportes Americanos.

Fora de série” também porque, pela primeira vez, O guia dos curiosos sai com uma edição totalmente colorida. A nova logomarca e o projeto gráfico são assinados pelos premiados designers Gustavo Piqueira e Samia Jacintho, da Casa Rex.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por ser uma edição comemorativa, o autor usou toda a primeira parte de O guia dos curiosos – Edição Fora de Série para fazer um mergulho nas memórias dos bastidores da coleção. Marcelo conta como a ideia surgiu, quais foram os grandes (e os mais engraçados) desafios da pesquisa e como a marca começou a se multiplicar.

Para vender a ideia do livro para a Companhia das Letras, enviei uma carta (carta mesmo, não havia e-mail e não sonhávamos com o WhatsApp) no começo de 1994 para o editor Luiz Schwarcz, que começava com três perguntas curiosas: ‘Qual é o tamanho do pescoço de uma girafa?’, ‘Quantos degraus tinha a forca de Tiradentes?’ e ‘Qual é a velocidade de um espirro?’. Em seguida, a carta discorria sobre a minha ideia. Duas semanas depois, ele me convidou pelo telefone para uma conversa. A editora ficava na rua Tupi, no bairro do Pacaembu, em São Paulo. Combinamos que eu teria um ano para escrever o livro. E como esse ano passou depressa!

Uma das melhores histórias veio de O guia dos curiosos – Brasil, lançado em 2000, e mostra a obsessão atrás de uma curiosidade. Uma resposta a uma dúvida que aparece agora na nova edição, 22 anos depois:

Quando estava escrevendo ‘O guia dos curiosos – Brasil’, descobri que o ator inglês Stan Laurel, o Magro da dupla O Gordo e o Magro, havia lutado com os pracinhas brasileiros em Monte Castello, na Itália, na Segunda Guerra Mundial. Ele era responsável pela ‘fábrica de fumaça’, uma engenhoca que mantinha o local da batalha sempre nublado. Com essa informação em mãos, tive a ideia de colocar o peso dos dois no livro. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e só encontrei o peso do Gordo. Pedi ajuda até para a Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos, sem resultado. Anos depois, eis que a informação aparece. No auge da fama, o americano Oliver Hardy, o Gordo, pesava 127 quilos e media 1,85 metro. Stan Laurel tinha 52 quilos e 1,73 metro.

O guia dos curiosos foi lançado em 10 de maio de 1995, na Livraria da Vila, no bairro de Vila Madalena. Foram vendidos naquela noite 116 exemplares. Nesses 25 anos, os nove títulos da coleção somam uma venda de 700 mil exemplares.

O que não mudou em O guia dos curiosos – Edição Fora de Série são as surpresas e as descobertas que Marcelo vai revelando em cada uma das 288 páginas. São curiosidades que talvez nunca tenham passado por sua cabeça. Ou até que já passaram e você não encontrou ninguém para respondê-las. Curiosidades que irão diverti-lo e informá-lo ao mesmo tempo.

Ah, com O guia dos curiosos, nenhuma pergunta fica sem resposta:
• O pescoço de uma girafa chega a medir 3 metros.
• A forca de Tiradentes tinha 21 degraus.
• Um espirro pode viajar a 160 km/h.