Leituras para entrar no clima da Copa do Mundo

As ruas já começaram a ganhar cores, as figurinhas voltaram a circular entre colecionadores, e a expectativa pelos jogos da Seleção Brasileira cresce a cada dia. Afinal, a Copa do Mundo mobiliza torcedores dentro e fora dos estádios e transforma o futebol em um verdadeiro fenômeno cultural.

Pensando nisso, reunimos algumas leituras ideais para quem deseja ampliar seus conhecimentos sobre o universo do futebol, das Copas e das tradições que cercam o torneio.

Não poderíamos iniciar esta seleção sem mencionar as bandeiras, símbolos que representam as nações participantes da competição. Em Bandeiras de Todos os Países, de Tiago José Berg, o leitor encontra curiosidades sobre os símbolos nacionais de mais de 1.300 países e aprende mais sobre a história e os significados por trás de cada bandeira. Uma ótima leitura para quem não quer confundir bandeiras semelhantes ou colar suas figurinhas nas páginas erradas.

E, por falar em figurinhas, O Álbum dos Álbuns de Figurinhas, de Marcelo Duarte, apresenta histórias e curiosidades sobre os colecionáveis que atravessam gerações e fazem parte da memória afetiva de milhões de torcedores. O livro resgata a trajetória das coleções lançadas no Brasil desde 1934, quando surgiram discretamente em embalagens de bala e carteiras de cigarro.

Outra sugestão indispensável para os apaixonados pelo esporte é O Guia dos Curiosos – Copas, também de Marcelo Duarte. Nesta edição da série, o autor reúne fatos inusitados, recordes e episódios marcantes dos Mundiais, oferecendo uma leitura rica em informações e curiosidades históricas sobre o torneio.

Para aqueles que desejam compreender os bastidores do futebol internacional, a duologia Jogo Sujo: O Mundo Secreto da FIFA, do jornalista investigativo Andrew Jennings, revela interesses, decisões e acontecimentos que influenciam diretamente o esporte mais assistido do planeta. A Fifa tentou proibir a publicação dos livros de Andrew Jennings, que foram o estopim para a grande ação policial para a prisão de dirigentes corruptos.

A Copa do Mundo também é marcada por tradições e cerimônias que emocionam torcedores ao redor do mundo. Nesse contexto, O Livro dos Hinos dos Países, de Tiago José Berg, é uma excelente oportunidade para conhecer melhor os hinos nacionais que acompanham as seleções durante as competições internacionais. O livro é composto pela letra original do hino, sua tradução e um CD para acompanhar as canções.

Encerrando a seleção, O Mistério da Figurinha Dourada, ficção escrita por Marcelo Duarte, traz uma narrativa envolvente inspirada no universo das figurinhas e do colecionismo, elementos que fazem parte da experiência de cada edição da Copa.

Para quem deseja entrar no clima do torneio antes do apito inicial, essas leituras representam uma excelente forma de explorar o futebol para além das quatro linhas, por meio de histórias, memórias e curiosidades que ajudam a tornar cada Copa do Mundo inesquecível. Todos os livros estão disponíveis no site da editora Panda Books e nas principais livrarias do país.

Caio Vilela

Dia do Fotógrafo: Os registros de Caio Vilela pelo mundo

8 de janeiro é Dia do Fotógrafo. Celebramos a data com Caio Vilela, autor das imagens de “Futebol sem fronteiras” e “Um mundo de crianças”. Ele faz diversas viagens a trabalho, já visitou 108 países e foi até para a Antártida, mas, curiosamente, cresceu em uma casa onde esses passeios não aconteciam. Os pais caíam na estrada apenas para visitar avós de Caio, que moravam no interior de São Paulo. Tem outra: eles também não eram de tirar fotos. Nunca. Apenas o avô materno, Alcyr Ribeiro, tinha câmera e fez registros da infância do fotógrafo. “Era só aquela foto de aniversário, do moleque assoprando o bolo”, lembra.

O interesse por clicar o mundo surgiu graças ao amigo de escola Cláudio Wakahara: “Ele fotografava por diversão, revelava e ampliava fotos no laboratório de seu pai”. Caio visitava o lugar e teve seu primeiro emprego lá, como assistente do arquiteto e museólogo Júlio Abe Wakahara. “Era um casarão antigo na Bela Vista. Você entrava e descia várias escadas para chegar ao laboratório”. Tinha, então, 16 anos e ganhou de presente a câmera do avô. A levou para sua primeira viagem internacional, quando fotografou na Patagônia, em 1990, aos 19 anos. A vontade de viajar foi estimulada pelo outro avô: Saulo Vilela. Apaixonado por trens e geografia, gostava de testar o conhecimento dos netos: “Ele nos perguntava coisas como a capital da República do Congo e países banhados pelo Oceano Índico”.

Conforme juntava economias com o dinheiro do trabalho, Caio viajava e fotografava. Em seus mochilões, gostava de brincar com crianças, especialmente nas regiões pobres. “Eu me divertia com elas, desenhava e visitava escolas. Também fazia anotações sobre como era o lazer, a alimentação, e a educação”. Chegou um momento em que reuniu todo o material e criou o livro “Um mundo de crianças”, com a jornalista Ana Busch.

Em suas andanças pelo mundo, certa vez, fotografou uma partida de futebol de rua no Irã. Estava em uma cidade chamada Yazd e gostou do contraste entre a pelada e a arquitetura característica do local ao fundo. O estalo veio depois de a imagem ser publicada na revista de bordo da Varig: “Comecei a procurar futebol nas viagens”. Em visitas a lugares muito emblemáticos, como o Machu Picchu, ele até levava uma bola. Mas Caio virou um especialista e descobriu até o horário sagrado do futebol: 17h. “Quem trabalha, já trabalhou; quem estuda, estudou; o sol já baixou e, nos países islâmicos, é o horário logo depois da reza. Às 5 da tarde, com uma bicicleta alugada ou um taxista esperto, eu consigo achar o futebol acontecendo em qualquer lugar do mundo”.

O livro deu origem a uma exposição no Museu do Futebol, em São Paulo, entre 2009 e 2010. Era chamada “Ora, Bolas! O Futebol Pelo Mundo”. Caio não parou de fotografar o esporte nas ruas de onde viajava. O material cresceu, e os convites para expor também. No Brasil, suas imagens foram apresentadas em shopping centers, no Conjunto Nacional, em São Paulo, e em diferentes unidades do Sesc, como na “Futegrafias”, exposição que aconteceu durante a Copa do Mundo de 2014.

O trabalho ganhou o mundo e foi apresentado em lugares como Belgrado (Sérvia), Islamabade (Paquistão), Doha (Catar), Quito (Equador), a prefeitura de Paris (França) e o Planetário de Bogotá (Colombia).