A autobiografia como caminho para a escuta de crianças | “Jornadas autobiográficas”

[…]o educador é esse ser que se coloca em escuta, que tem o diálogo como compromisso, e esse movimento de acolher o outro exige o movimento de acolher a si mesmo. Exige o movimento de pensar quem sou eu no encontro com o outro. Exige o movimento de reco­nhecer as marcas culturais e sociais que o compõe para reconhecer as marcas culturais e sociais que compõem cada um dos estudantes presentes para o diálogo. (Do prefácio de Luiza Helena Christov)

Escutar o que outra pessoa tem a dizer ou a contar sobre si pode parecer um exercício simples. Contudo, se aprofundado, torna-se um processo poderoso. É com base na escuta das origens de cada sujeito que a antropóloga, educadora, pedagoga e pesquisadora Adriana Friedmann aborda o caminho para a formação do educador na obra Jornadas autobiográficas – Narrativas e memórias para a formação do educador, do selo Panda Educação.

A autora explora como o processo de escuta leva o educador à compreensão da diversidade de comportamentos. Ela tece reflexões sobre teorias e práticas que estimulam o compartilhamento de experiência, memórias e raízes culturais, como forma de conhecer não apenas a criança, mas também a nossa própria história, individual e coletiva. Tais reflexões são temperadas por estudos de caso, que vão ilustrando a potência desses encontros e o poder da escuta interessada e disposta a reconhecer no outro aquilo que existe em nós mesmos.

Por meio dessa jornada de autoconhecimento, Adriana dialoga com pensadores e teóricos das áreas de antropologia, educação, sociologia, filosofia e psicologia, abrindo caminho para a formação de professores e educadores que estejam atentos e dispostos a conhecer o protagonista de seu trabalho: a criança.


ADRIANA FRIEDMANN tem pós-doutorado em artes pela IA-UNESP, é doutora em antropologia pela PUC-SP, mestre em educação pela Unicamp e pedagoga pela USP. É criadora e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento (Nepsid) e cofundadora da Aliança pela Infância e o Coletivo A Vez e A Voz das Crianças. Atua ainda como pesquisadora, consultora e formadora na área da educação infantil. É autora do livro A vez e a voz das crianças: escutas antropológicas e poéticas das infâncias, publicado pelo Panda Educação.

Conheça a banda Sweet, do livro “Vida instantânea”

No romance Vida instantânea, escrito por Marcelo Duarte e Penélope Martins, seis adolescentes vencem um reality show e formam a banda Sweet, que vira um fenômeno musical da noite para o dia. Mas a inesperada saída de uma das integrantes vem cercada de grande mistério.

Por que Bárbara desistiu de seu grande sonho na carreira artística? O cancelamento do grupo nas redes sociais muda a vida de todos eles, especialmente de Theo, e atrapalha uma promissora história de amor.

Até descobrir a razão do misterioso desaparecimento de Bárbara, acompanhamos como Theo e seus colegas de banda lidam com o término da fama, enquanto a obra nos convida a pensar sobre assuntos que estão na ordem do dia, como culturas do imediatismo, do cancelamento e do assédio.

E tem mais! Ao longo dos capítulos, você poderá ouvir a trilha sonora, composta e gravada especialmente para o livro. São oito canções criadas pela própria Penélope, com música do produtor e instrumentista Rodrigo Di Giorgio.

Confira a playlist e conheça mais sobre o livro!


Marcelo Duarte é jornalista e escritor. Lançou em 1995 o primeiro O guia dos curiosos, hoje uma coleção com dez volumes. Tem também dez romances juvenis publicados, entre eles Esquadrão Curioso: caçadores de fake news, O mistério da figurinha dourada e Que nem maré. É atualmente um dos curadores do Museu do Futebol, em São Paulo. Trabalhou na rádio (Bandeirantes SP e BandNews FM) e na televisão (Loucos por Futebol, na ESPN-Brasil). Compartilha seus conteúdos nas redes sociais do @guiadoscuriosos, que soma hoje quase 1 milhão de seguidores.

 

Penélope Martins é escritora e narradora de histórias. Advogada pós-graduada em direitos humanos, dedica-se à formação de novos leitores desde 2006, produzindo conteúdo para o desenvolvimento contínuo de educadores e mediadores. Atua em projetos de fomento da palavra escrita e falada. Participou de coletivos de mulheres com poesia autoral e é autora e curadora do projeto Mulheres que Leem Mulheres. Entre seus livros publicados estão Minha vida não é cor-de-rosa e Uma boneca para Menitinha, ambos ganhadores do Prêmio Biblioteca Nacional.

Abigail: uma garota grande que foge aos padrões

Abigail era grande. Abigail era forte. Abigail era única. Certo dia, ela não acordou feliz. O que aconteceu com Abigail? Ninguém sabia.

Quando começou a escrever Abigail não sabia com a frase “Abigail era grande”, Fábio Monteiro se transportou para sua própria infância: “Os sapatos não cabiam, as roupas esticavam e o braço era pequeno para o tamanho da minha curiosidade. Queria o chão para brincar, a natureza para experimentar e a vida para alimentar sonhos”, recorda.

A protagonista do livro tem dificuldades em participar de algumas brincadeiras, pois está com sobrepeso e é bem mais alta do que as crianças com as quais convive. Ela até lida de maneira bem-humorada com os colegas a chamando por apelidos pejorativos, como “João Grandão”, “Balão” e “Tufão”. Afinal, ser grande tem seu lado positivo: como ficar mais perto das estrelas. No entanto, certo dia, Abigail acorda com uma tristeza profunda, sem identificar o que sente nem a causa do seu desânimo. O que aconteceu com Abigail? Nem ela sabia dizer.

 

 

A partir dessa construção narrativa, Fábio Monteiro explora as diferenças, as dificuldades de se encaixar e, sobretudo, a profusão de sentimentos e emoções das crianças, que requerem cuidado e atenção dos adultos. Tudo isso é acompanhado pelas ilustrações delicadas de Ionit Zilberman, feitas com lápis de cor, em tons suaves sobre o papel, realçando o drama e o humor sutil do texto.

Fábio Monteiro é pernambucano, mas hoje vive em São Paulo. Escreve livros para crianças e adolescentes e já foi finalista do Prêmio Jabuti com Cartas a povos distantes, lançado em 2016. Coleciona também outras premiações, como o selo Altamente Recomendável da FNNLIJ, o Cátedra Unesco, da PUC-Rio, e a presença no Acervo do Clube de Leitura ODS da Organização das Nações Unidas.

Ionit Zilberman nasceu em Tel Aviv, Israel, mas vive em São Paulo desde a infância. Cursou artes plásticas e começou sua carreira ilustrando revistas antes de partir para os livros infantis – este é o 60º da lista. Já ganhou o selo Altamente Recomendável, da FNLIJ, e o Cátedra Unesco, da PUC-Rio. Foi também finalista do Prêmio Jabuti em 2018.

10 coisas que posso fazer para salvar o planeta

Conheça 10 recomendações do autor Todd Parr para ajudarmos a salvar nosso planeta.


Desligar as luzes


Reciclar!


Reaproveitar as sobras de comida


Cuidar das minhocas


Dividir um livro


Plantar uma árvore


Usar os dois lados do papel


Economizar água


Jogar o lixo no lixo


Colocar meu calção no freezer quando estiver muito quente

Essas e outras dicas estão presentes em “O livro do planeta Terra”, que mostra que pequenos gestos podem fazer toda a diferença.

Gestos simples como não usar sacolas plásticas, reciclar o lixo, economizar água, não poluir o ar, apagar as luzes e não desperdiçar alimentos são fundamentais para manter um planeta sustentável.

Mitos e bichos de A a Z | A origem da palavra “macaco”

A palavra “macaco” vem da África: makako. Refere-se a muitas das espécies de símios ou primatas. São tantos os animais que fazem parte dessa ordem que “macaco” se tornou uma palavra comum para vários deles, dos maiores (gorilas, orangotangos) aos menores (micos, saguis). Há símios em quase todos os continentes do mundo, principalmente nas regiões quentes (tropicais), mas existem também algumas espécies que vivem em locais altos e gelados.

Encontramos histórias sobre macacos em várias mitologias do mundo. O macaco mais famoso de todos talvez seja Hanuman, da Índia. Suas aventuras fazem parte do Ramayana, a longa história do guerreiro Ramashandra, ou Rama, que foi um dos avatares (diferentes personalidades) do deus Vishnu.

A história de Hanuman, o Deus-Macaco, você pode conferir no livro “Mitos e bichos de A a Z“, escrito por Rosana Rios e ilustrado por Andrea Ebert.

Panda Books premiada internacionalmente

O Type Directors Club, uma instituição americana com 70 anos de história, anunciou os vencedores de seu prestigioso Concurso Global de Tipografia e Design – e a Panda Books está entre os laureados na categoria comunicação visual.

Com projetos gráficos e design da Casa Rex os seis títulos já publicados pela Coleção Clássicos Internacionais ressignificam a experiência de ler os clássicos. Cada livro desafia o convencional trazendo capa e pôster que revelam uma abordagem multidimensional, tornando-se uma viagem não só ao universo do autor, mas também ao mundo do design e da criatividade. As notas de apoio junto ao texto original facilitam a compreensão da trama e do momento histórico.

Além disso, todas as obras estarão em exposição na Creative Week, de Nova York, entre os dias 13 e 17 de maio, e figurarão ao lado de projetos de grandes marcas, como The New York Times, Nike, Apple, Netflix e Amazon.

Estamos honrados por receber esse reconhecimento do Type Directors Club e proporcionar ao público uma coleção com títulos tão importantes – e agora com o design reconhecido e premiado.

Você já conhece a Coleção Clássicos Internacionais? Os seis títulos lançados até aqui foram:

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

 

Oliver Twist, de Charles Dickens

 

O máscara de ferro, Alexandre Dumas

 

Caninos brancos, de Jack London

 

A letra escarlate, de Nathaniel Hawthorne

 

Narrativa da vida de Frederick Douglass, de Frederick Douglass

 

Tem novidade chegando aí logo!

“Uma estrela chamada Senna” – 30 anos da morte de Ayrton Senna

Quem olhar o céu do hemisfério Norte poderá ver Ayrton Senna em forma de estrela, brilhante e eterno como os astros. No catálogo internacional de astronomia, Senna transformou-se na estrela 5 2942-1502, que a International Star Registry foi buscar na galáxia para presentear a família do grande piloto. Um ponto luminoso no firmamento que materializou a metáfora cunhada por aqueles que, como nós, viram em Ayrton Senna uma luz própria, que agora resplandece num pódio onde nenhum outro astro da constelação da Fórmula 1 conseguiu chegar.

“Uma estrela chamada Senna” é escrito pelo jornalista Lemyr Martins, que acompanhou toda a carreira do piloto Ayrton Senna, desde sua estreia no kart, em 1973. Lemyr tornou-se até confidente do brasileiro quando ele morava na Europa.

Nos formatos e-book e audiolivro, “Uma estrela chamada Senna” traz os bastidores dos 161 Grandes Prêmios disputados por ele, as negociações com as escuderias e detalhes da vida pessoal do piloto. Trata-se do mais completo livro sobre a carreira e a vida do tricampeão da Fórmula 1.

E agora em 2024, ano em que fãs do mundo inteiro lembrarão dos trinta anos da trágica morte de nossa estrela, a Panda Books relança este best-seller!

http://pandabooks.com.br/esportes/biografia/uma-estrela-chamada-senna

Além disso, até dia 01/05/2024, estamos promovendo um concurso cultural para você contar sua melhor história com Ayrton Senna.

Os cinco melhores relatos serão premiados com a versão em audiolivro de “Uma estrela chamada Senna”, disponível na plataforma Audible.

Saiba mais e participe do concurso:

http://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdZFiq3Ez8nlMKue40yESqW7G3AZ_l7eRA8eqq0yi2aBLY9Mg/viewform?pli=1&pli=1l

O resultado será divulgado no dia 05/05/2024, em nosso Instagram.

*As cinco histórias serão avaliadas e escolhidas pelos profissionais da editora. É vedada a participação de funcionários da editora, assim como de seus cônjuges e parentes.

Todas as mulheres de José de Alencar

Escritor cearense marcou seu nome na literatura brasileira com romances que colocaram a personalidade forte de suas protagonistas em destaque

Lucíola”, lançamento da Panda Books na série “Clássicos da Língua Portuguesa”, não é a única obra de José de Alencar (1829-1877) a trazer no nome uma figura feminina. Também não é o único título a apostar na personalidade forte e envolvente de uma protagonista feminina para desenvolver um romance capaz de prender a atenção do leitor.

Na verdade, o escritor cearense desenvolveu uma espécie de trilogia de perfis femininos que compõem o que se pode chamar de “mulheres alencarianas”. As histórias não estão ligadas do ponto de vista narrativo e tampouco são uma continuação uma da outra, mas podem ser interpretadas como partes de uma triologia pelas semelhanças na estrutura do romance – são mulheres fortes, de personalidade, que retratam o tempo em que viveram (e no qual Alencar viveu e escreveu) e que têm uma visão mais avançada dos costumes.

Lucíola”, o primeiro deles, por exemplo, saiu em 1862, num Brasil já independente e ainda não republicano; em tempos pré-iluministas de uma moral extremamente rígida sobretudo para as mulheres. Só que, ao mesmo tempo, com a memória ainda fresca de um dos grandes sucessos do escritor francês Alexandre Dumas: “A dama das camélias”, lançado em 1848. São muitas as semelhanças entre o clássico europeu e a trajetória da menina Maria da Glória. Ao ser expulsa de casa, ele se tornou Lúcia, uma cortesã – igual à Camille de Dumas (eram chamadas de “cortesãs” as prostitutas que atendiam clientes ricos).

Lucíola vive os seus conflitos internos e a repulsa pela própria vida de devassidão, enquanto encanta um jovem pernambucano chamado Paulo, que se apaixona pela pureza daquela mulher.

Dois anos depois, José de Alencar lançou “Diva”. Não era de forma alguma uma continuação, mas hoje em dia talvez pudesse até ser considerado um spin-off porque traz de volta a figura de Paulo. A diferença é que ele deixa de ser um protagonista para ser tão somente uma testemunha dos encantos de seu amigo, o médico Augusto Amaral, pela jovem Emília – a “diva” da história.

Dessa forma, se quisermos analisar as duas obras em conjunto, temos dois homens semelhantes no comportamento e na forma de ver o mundo profundamente encantados por mulheres totalmente diferentes. A Emília de “Diva” não admite ser tocada e demora até se abrir para o amor ou mesmo para qualquer ação que escape de sua própria rigidez moral.

Em seus romances urbanos que flertaram com o realismo de Machado de Assis, Alencar conseguiu, em um intervalo de dois anos, surpreender ao sair dos supostos pecados cotidianos de Lúcia para o pudor indestrutível de Emília.

O tempo passou. O escritor cearense experimentou novos caminhos e alcançou com outra mulher – Iracema, a virgem dos lábios de mel, a representante da força dos povos originários brasileiros – o seu maior sucesso.

Já no fim da vida, Alencar voltou a explorar um romance urbano com protagonista feminina que, pelas semelhanças, fecha essa trilogia. “Senhora” foi publicado em 1875 para arrematar toda a reflexão do autor sobre os embates entre o amor e o interesse. Apresenta, em Aurélia Camargo, uma mulher forte e decidida, que poderia simplesmente aceitar a humilhação de ter sido preterida pelo seu grande amor, Fernando, mais preocupado em arranjar um casamento com uma mulher rica. Acontece que ela própria se torna essa mulher, que pode comprar Fernando para estabelecer uma relação de poder diferente daquela que os romances mais tradicionais idealizavam para as mulheres. É, de certa forma, um retrato também de um Brasil com mulheres mais alfabetizadas e letradas, que tiveram seus novos anseios desvendados por autores como Alencar.

Apesar de originalmente não terem ligação direta, as três obras são naturalmente associadas. Tanto que, em 2005, a TV Record colocou no ar a novela “Essas Mulheres”. O autor Marcílio Moraes aproveitou o fato de as três protagonistas viverem na mesma época e criou uma história na qual elas viraram amigas que viveram cada uma o seu romance. Christine Fernandes foi a “Senhora” Aurélia Camargo; Miriam Freeland, a “Diva” Emília Duarte; e Carla Cabral, a Lúcia – ou “Lucíola”, que a Panda Books apresenta em nova edição da coleção “Clássicos da Língua Portuguesa”.

10 curiosidades sobre “Narrativa da vida de Frederick Douglass”

Retrato em primeira pessoa do período escravocrata nos Estados Unidos é o novo destaque da série “Clássicos Internacionais”

Um homem negro, escravizado desde a infância, foge e se torna uma das mais importantes vozes abolicionistas dos Estados Unidos no século XIX. Frederick Douglass trilhou esse caminho ao revelar para o mundo as suas experiências em duas décadas de escravidão no livro “Narrativa da vida de Frederick Douglass: um escravizado americano”, relançado na série “Clássicos Internacionais”, da Panda Books.

Veja abaixo algumas curiosidades sobre o autor e a obra.

1. O autor do livro nasceu como Frederick Augustus Washington Bailey em 1818. Ele adotou o novo nome aos 20 anos (sete antes de lançar a obra), quando fugiu da casa onde era escravizado em Maryland. Foi para a Filadélfia e depois para Nova Iorque, onde começou a se reunir com outros abolicionistas.

2. Bailey passou por vários outros endereços no campo e na cidade. Aos 6 anos, foi completamente separado da família. Alfabetizou-se apenas aos 12 anos, quando foi transferido para a propriedade da família Auld, em Maryland, depois da morte do antigo dono, Aaron Anthony. Ali, ele teve os primeiros contatos com a literatura abolicionista.

3. A primeira publicação de “Narrativas da Vida de Frederick Douglass” foi feita em 1845 pelo Escritório Antiescravidão da Rua Cornhill, em Boston. Aquele era um local que servia justamente para oferecer aos abolicionistas um espaço para publicação e divulgação de ideias, livros e folhetos. Era também um local para reuniões e palestras e servia de abrigo para escravizados que fugiam dos lugares onde eram dominados.

4. Em três anos, a narrativa de Frederick já havia demandado três tiragens e alcançado 11 mil cópias com traduções para o francês e para o holandês. Era muita coisa para uma época em que o mercado editorial ainda engatinhava.

5. Ainda em 1845, com a renda e a repercussão dos livros, Frederick foi convidado a contar suas experiências e suas ideias no Reino Unido. Lá, arrecadou fundos para comprar a sua liberdade: sete anos depois de fugir da casa de Maryland, ele pagou 711 dólares para a família Auld e virou oficialmente um homem livre. Corrigido pela inflação, o valor equivale hoje a aproximadamente 25 mil dólares.

6. Logo no início do livro, o autor conta que não sabia sua data de aniversário exata. Tinha conhecimento do mês e do ano: fevereiro de 1818. Por isso, escolheu o dia 14 para celebrar.

7. O livro não dá detalhes sobre a fuga de Frederick para o norte abolicionista porque ele não queria que as rotas e os planos de fuga fossem descobertos. Hoje, o que se sabe é que ele embarcou em um trem que partiu na noite de 3 de setembro de 1838 na estação de Baltimore da ferrovia Philadelphia, Washington & Baltimore Railway. Baltimore era o ponto inicial da linha que percorria uma distância de aproximadamente 1 mil quilômetros até a Filadélfia.

8. “Narrativa da vida de Frederick Douglass” não foi a única produção do autor. No total, escreveu cinco livros que o fizeram uma das mais relevantes vozes americanas do século XIX. Ele escreveu também para dois jornais abolicionistas.

9. Frederick Douglass tornou-se tão relevante que atuou também na política americana. Durante a Guerra de Secessão, que dividiu os Estados Unidos entre escravocratas e abolicionistas, ele manteve um contato bastante estreito com o presidente Abraham Lincoln – que viria a abolir a escravidão em território norte-americano.

10. Nos primeiros anos pós-abolição, Douglass ganhou progressivamente mais espaço no Partido Republicano. Chegou, inclusive, a disputar as prévias do partido para as eleições de 1888. Uma de suas bandeiras era o voto feminino, que só seria adotado em escala nacional nas eleições de 1920. Ele, no entanto, recebeu apenas um voto ao longo de oito primárias. Apesar da empreitada malsucedida nas urnas, ele foi nomeado cônsul-geral dos Estados Unidos no Haiti durante o governo do republicano Benjamin Harrison. Morreu em Washington em 20 de fevereiro de 1895 – no mês em que completaria 78 anos.

As memórias afetivas de um contador de histórias

Em “Bailarinos”, Giba Pedroza transporta os jovens leitores para dentro de um brinquedo analógico e ainda fascinante

Aos 12 anos, Giba Pedroza escreveu o primeiro texto para o teatro e, desde então, nunca mais parou de olhar para o passado na hora de escrever as suas narrativas. Pela Panda Books, ele lança este mês o livro “Bailarinos”, que define como “uma fotografia antiga dele mesmo”. O protagonista é o pião, brinquedo de criança há tantos séculos no Brasil. Com as ilustrações de Sidney Meirelles o autor transporta os jovens leitores – que talvez já tenham trocado os piões pelos celulares – para dentro do rodopiar de um brinquedo analógico, mas ainda fascinante. No livro, ele garante ter crescido “com os olhos no chão, admirando o bailar dos piões” e é este ângulo que ele realça em “Bailarinos”.

O paulista Giba Pedroza se apresenta como um contador de histórias. Foi ele, aliás, um dos primeiros a transformar esse talento de narrar fatos reais ou fictícios diante de um grupo de pessoas em uma área de atuação profissional. “Eu só sei marcar a data porque Regina Machado, que é o ‘Pelé’ dos contadores de história, diz que me conheceu por volta de 1986, 1987 e eu fui a primeira pessoa que se apresentou para ela como contador de história. Na época isso não era tão comum”, lembra. Quase quatro décadas depois, Giba é um dos mais renomados profissionais brasileiros do setor e promove oficinas, palestras e cursos, além de se dedicar também às pesquisas sobre a literatura infantil e oralidade.

Já naqueles passos iniciais Giba tinha a preocupação de construir uma narrativa “lúdica e bonita” mesmo para tratar de temas mais complexos. “Tem gente que acha que contar história é um mero entretenimento para fugir da realidade. Eu na verdade comecei a contar histórias para enfrentar a realidade”, argumenta. Por mais ou menos três anos, ele anotou as histórias que contou em um caderninho, que funcionou como um registro sentimental de momentos marcantes e de boas histórias que podem ser contadas a qualquer tempo e em qualquer lugar.

Mas, se todo mundo conta história o tempo todo entre amigos, no ambiente familiar ou mesmo para um estranho qualquer no meio da rua, o que é que define um profissional da área? O mestre garante que a resposta não é única: “Acho que o contador profissional de histórias dá uma espécie de testemunho. É sempre de dentro para fora, pelas memórias afetivas e pela experiência de vida. Cada um tem a sua técnica. É uma espécie de impressão digital de cada contador. Quanto mais conta mais você vai definindo essa sua impressão”, explica.